STAR
TREK
W I
N G S
Parte
I
Desde os primórdios
da humanidade, a civilização
vem sendo movida pela
exploração.
Ela começou de
forma sutil quando,
ainda na Pré-História,
o homem primitivo fazia
caminhadas no território
próximo em busca
dos recursos necessários
à sua sobrevivência.
Séculos mais
tarde, já na
Era Moderna, os reis
enviavam embarcações
ao desconhecido em busca
de novos territórios.
Os principais avanços,
entretanto, vieram ainda
alguns séculos
depois, iniciados com
a exploração
do espaço. Iniciada
com grandes telescópios,
esta exploração
deu origem a ônibus
espaciais que inicialmente
levavam apenas à
Lua e, mais tarde, foi
criada a ISS (Estação
Espacial Internacional).
Em meados do século
XXI veio o grande marco
para a exploração
espacial: a invenção
de um motor de dobra,
por Zefram Crochane,
que superava a velocidade
da luz. O vôo
de teste chamou a atenção
dos vulcanos, uma raça
muito mais avançada
do que a humana. Estes
vulcanos ajudaram os
humanos em diversos
aspectos ao longo do
tempo e, então,
foi possível
a criação
da Frota Estelar, que
no século XXII
lançou a primeira
nave terrestre a alcançar
dobra 6,5: a NX-01 Enterprise,
comandada pelo capitão
Jonathan Archer.
Com os avanços
da exploração
espacial, foi criada
a Federação
dos Planetas Unidos,
que incluía a
Terra, Vulcano e tantos
outros planetas. Socialmente,
um avanço da
Frota Estelar de fato
ocorreu no século
XXIV, quando foi partiu
da Estação
Espacial Nove a nave
estelar Voyager, a primeira
nave da Frota comandada
por uma mulher. Esta
mulher, Kathryn Janeway,
não teve muita
sorte: em sua primeira
missão, que consistia
em resgatar seu oficial
tático e chefe
de segurança,
tenente Tuvok, a Voyager
foi atirada no Quadrante
Delta, e a viagem de
volta duraria 75 anos.
Janeway, porém,
não desistiu,
e de fato conseguiu
voltar para a Terra;
feito tão notável
que resultou em sua
promoção
a almirante.
Apesar dos feitos notáveis
não apenas de
Janeway, mas também
de outros oficiais que
entraram para história,
a Federação
se encontra em uma situação
delicada. Com a descoberta
de uma fenda espacial
que levava ao Quadrante
Gama próximo
a Bajor, foi firmado
um tratado em que a
Federação
e o Governo Provisório
Bajoriano se comprometiam
a explorar juntos a
Fenda. Entretanto, ações
cardassianas contra
áreas bajorianas
e a Estação
9 levaram a Frota Estelar
a tomar decisões
que o Governo Provisório
desaprova, o que fez
com que este decidisse
revogar o Tratado. Para
evitar isso, foi marcada
uma reunião entre
a Coronel Kira (oficial
no comando da Estação
9), um representante
do Governo Provisório,
a Almirante Janeway
e o Capitão Álvaro
Magari (capitão
da segunda nave mais
importante da Frota:
a Wings, classe Intrepid
— nave que, após
árduos esforços
da Almirante Janeway,
recebeu alguns “upgrades
exclusivos”).
A USS
WINGS
Comandante: Capitão
Álvaro Magari
(bajoriano)
Primeiro-Oficial: Comandante
Albert Conways (humano)
Oficial Tático
e Chefe de Segurança:
Tenente Ken Lynx (klingon)
Oficial de Ciências:
Tenente-Comandante Laura
Hernandez (humana)
Engenheiro-Chefe: Comandante
Dagobert McGown (vulcano)
Médica-Chefe:
Comandante Carla Saak
(humana)
Foi
tranqüila a partida
para esta primeira missão
da USS Wings. A nave
ainda ia fazer algumas
paradas para testar
detalhes mecânicos,
o que deixaria a viagem
um pouco mais longa.
O refeitório
se encontrava um pouco
movimentado para o início
da primeira missão,
pois muitos não
estavam sendo requisitados
em seus postos e usavam
esse tempo para conhecerem
uns aos outros.
Em uma das mesas estavam
Conways e Hernandez,
que eram amigos desde
bem antes de entrarem
para a Academia.
— Acho que a nave
vai ter problemas —
diz Hernandez.
— Isso é
impossível, a
nave foi checada dezenas
de vezes e nós
ainda estamos parando
para fazer testes.
— Não deste
tipo. Estou falando
de problemas da tripulação
com o capitão.
Nós estamos indo
resolver um problema
entre a Federação
e Bajor, e o capitão
é bajoriano.
— Que diferença
faz? Em primeiro lugar,
ele cortou qualquer
relação
com Bajor, mesmo porque
os bajorianos não
exatamente o apreciam.
Além disso, ele
está perfeitamente
apto a comandar a n
\n';
document.write(barra);
}
}
changePage();
ave,
tenho certeza que vai
ser um ótimo
capitão.
— Nós sabemos
disto, mas e os outros?
— Comandante Conways,
o senhor poderia vir
à enfermaria?
— Estou indo.
Vejo você depois,
Laura.
Na
enfermaria...
— O que foi, Carla?
— Na verdade,
Al, eu te chamei por
um motivo pessoal.
— Tudo bem, eu
não sou necessário
na Ponte agora.
— Eu estava me
perguntando o que você
poderia me dizer sobre
o Tenente Lynx...
— Carla! Mal chegamos
e você já
se interessou por alguém!
Eu não sei muito
sobre ele, ele não
é de falar muito.
Mas eu posso te dizer
que além de ser
o klingon mais gordo
que eu já vi,
ele fica com um mau-humor
insuportável
quando é contrariado.
Eu sinceramente me pergunto
como um gordo daquele
pode ser Chefe de Segurança...
— Ser fofinho
é o charme dele...
— “Fofinho”?!
Você que sabe...
Mas eu não entendo
esta sua obsessão
por arranjar um namorado!
Eu, por exemplo, estou
sozinho e me sinto muito
feliz assim.
— Você diz
isto porque sabe que
quando quiser vai conseguir
quem quiser. Afinal
de contas, você
é alto, loiro,
bonito, olhos azuis...
Mas, deixa pra lá.
Você realmente
acha que essa negociação
pode ter resultado positivo
para a Federação?
Afinal de contas, o
capitão é
bajoriano...
— Ele é
bajoriano mas, além
de não ter mais
nenhuma relação
com Bajor, é
muito ético e
sabe ser imparcial.
Além disso, a
Kathryn também
vai estar lá.
— “Kathryn”?!
Você chama a Almirante
Janeway pelo primeiro
nome!
— Claro! Nós
somos amigos há
anos!
— Você é
amigo da Almirante Janeway!
— Sim, e daí?
— E daí
que ela conseguiu entrar
para história
ainda viva, antes mesmo
de se aposentar! A nave
dela foi atirada no
Quadrante Delta e ela
conseguiu trazê-la
de volta em sete anos!
— Vocês
a vêem como Almirante
Janeway, eu a vejo apenas
como a minha querida
amiga Kathryn.
— Comandante Conways,
para a Ponte.
Na
Ponte...
— O que aconteceu?
— pergunta Conways
— Não se
sabe ao certo... —
responde o capitão
— Detectamos uma
flutuação
de...
— É uma
nave desclamufando!
— Romulana? —
pergunta o capitão
— Definitivamente
não.
— Isso não
é bom —
diz o capitão.
— Levantar escudos;
alerta vermelho!
— Alguns estão
se transportando a bordo!
— Impossível!
Nossos escudos estão
levantados!
Mas não era impossível.
Tanto não era
que oito figuras com
encapuzadas usando túnicas
que cobriam do pescoço
aos pés surgiram
na Ponte e, antes que
houvesse qualquer reação,
atiraram no Alferes
Harriet e se transportaram
de volta para sua nave
levando o capitão
Magari.
— Conways para
Saak. Emergência
médica na Ponte!
— Eles estão
indo embora.
— Curso de perseguição!
Ninguém invade
a minha Ponte, mata
meu Oficial de Ciências,
seqüestra meu capitão
e vai embora impune!
Apesar da notável
velocidade com a qual
a doutora Saak chegou
à Ponte, foi
tarde de mais. O Alferes
Harriet já estava
morto. A nave alienígena,
entretanto escapo, pois
os propulsores da Wings
falharam.
— McGown, é
melhor você ter
uma boa explicação
de por que os propulsores
não funcionaram!
— bradou Conways
— Confesso que
fiquei tão perplexo
quanto o senhor, Comandante,
mas...
— Esqueça
o blábláblá!
— Houve um dreno
de antimatéria,
fazendo com que o reator
de dobra ficasse sem
energia.
— Como eles poderiam
ter feito isso?
— Não poderiam.
— Ótimo!
OK, então eu
suponho que alguém
tenha uma excelente
teoria de por que eles
invadiram somente a
Ponte, cortaram nossa
propulsão e raptaram
o capitão.
— Logicamente
falando — começou
McGown—, eles
o objetivo deles deve
ser impedir que aconteça
a reunião entre
a Federação
e Bajor.
— Logicamente.
Eles podem nos atrasar,
mas não vão
nos impedir. Primeiro
precisamos encontrar
o capitão. Podemos
seguir a assinatura
de dobra?
— Curioso... —
respondeu Hernandez
— A nave não
deixou assinatura de
dobra ou qualquer outro
resíduo ou pista.
Que nave seria capaz
disso?
— Nenhuma... —
murmurou Conways —
Então devemos
nos concentrar em chegar
à Estação
9. Eles devem fazer
contato para negociar
a libertação
do capitão. Em
quanto tempo os propulsores
estarão operantes?
— Acredito que
cerca de meia hora.
— Então
se apresse no concerto,
pois assim que estivermos
prontos iremos à
Estação
9 em dobra máxima.
O Comandante McGown
conseguiu terminar o
concerto em apenas vinte
minutos, e o caminho
até a Estação
9 foi tranqüilo,
exceto por um conduíte
de plasma que estourou
mas felizmente ninguém
se feriu nem causou
nenhum problema sério.
— Al, o que aconteceu?
— recepcionou-o
a Almirante Janeway
— Invadiram a
Ponte, mataram meu Oficial
de Ciências e
raptaram o capitão
— respondeu Conways.
— Depois você
me dê os detalhes,
mas agora é melhor
você ir substituir
o Magari na reunião,
antes que a Coronel
Kira dê um ataque.
A reunião foi
um sucesso e o Comandante
Conways atuou de modo
impecável. Bajor
e a Federação
concordaram em continuar
a parceria, e a Federação
reafirmou o compromisso
de se manter neutra
quanto aos impasses
entre Bajor e Cardássia.
Depois da reunião,
a Almirante Janeway
contactou o Almirantado
da Frota Estelar e,
então, chamou
o Comandante Conways.
— E então,
Kat? — perguntou
Conways
— Eu falei com
o Almirantado e tenho
boas e más notícias
— começou
Janeway. — A parte
boa é que você
acaba de ser promovido
para capitão,
logo está oficialmente
no comando da Wings.
Há também
mais algumas promoções
na nave, entre elas
a da sua nova Primeira-Oficial:
Comandante Laura Hernandez.
É uma promoção
mais do que merecida,
mas deu trabalho, já
que muitos queriam que
o Comandante McGown
fosse o Primeiro-Oficial,
mas acho que fui bastante
persuasiva ao dizer
que ele não é
suficientemente confiável
e que seria muito difícil
para vocês trabalhar
tão juntos.
— Obrigado, Kat.
— Vocês
mereceram, Al. Mas há
ainda a parte ruim:
foi determinado que
a Wings vá imediatamente
a Athulous IV.
— Athulous IV?!
Só a viagem até
lá demora quase
um mês!
— Eu sei, mas,
como a Enterprise já
está em uma missão,
eles ficaram irredutíveis
e exigiram que a segunda
melhor nave fosse até
lá; e essa nave
é a Wings. O
máximo que consegui
foi que vocês
pudessem partir amanhã
de manhã.
— E o Capitão
Magari?
— Sinto informar,
mas eles já o
consideram morto.
— Morto?!
— Assim que houver
qualquer chance de encontrá-lo
e resgatá-lo
eu mesma garantirei
que isso seja feito.
Mas admita: não
há nada que possamos
fazer por enquanto.
Eu conheço este
tipo de ação,
e tenho certeza os seqüestradores
farão contato
em breve. Resgatar o
Capitão Magari
agora é minha
prioridade, mas você
tem que ir a Athulous
IV. A missão
da Enterprise termina
em três dias,
e sei que o Capitão
Riker vai me ajudar
a encontrar o Magari.
— Mas, afinal,
por que querem a Wings
em Athulous 4?
— Sinceramente,
não faço
idéia. Eles dizem
que esta informação
é confidencial.
Na verdade eles têm
medo que eu discorde
e te conte tudo. Vá
com cuidado, e esteja
preparado para surpresas
desagradáveis.
\n';
document.write(barra);
}
}
changePage();
Boa sorte.
— Seqüência
de autodestruição
ativada. A Estação
se autodestruirá
em dois minutos.
— O QUÊ?!
O Capitão Conways
e a Almirante Janeway
foram a Operações
o mais rápido
que puderam, e depararam-se
com o caos absoluto.
— Se for por causa
da autodestruição
— bradou a Coronel
Kira —, a Engenharia
já está
tentando anulá-la.
Se não for, fale
comigo quando esta confusão
terminar.
— Processo de
autodestruição
abortado.
— O’Brien,
o que foi isso? —
perguntou Kira
— O computador
mostra que a autodestruição
foi ativada de Operações.
— Argh! Kira para
Segurança. Nenhuma
nave, exceto a Wings,
tem permissão
para deixar a Estação
até que eu diga
o contrário.
Kira desliga. Capitão,
Almirante, o protocolo
me obriga a impedir
que qualquer nave deixe
a Estação,
mas recebi um “ultimato”
da Frota Estelar há
meia hora que “pede”
que não haja
atraso na partida da
Wings em hipótese
alguma.
A
partida da Wings ocorreu
conforme o planejado,
mas a tripulação
apresentava grande insatisfação,
especialmente pela distância
do destino e a incerteza
da razão que
os leva até lá.
Duas semanas após
a partida, houve um
problema com alguns
relês e uma parada
foi necessária
ao concerto. De repente,
quando o Capitão
Conways e a Comandante
Hernandez estavam conversando
no refeitório,
houve um forte impacto.
— Conways para
a Ponte. O que foi isto?
— Está
tudo sobre controle,
Capitão.
— Eu perguntei
o que foi isto!
— Nada que esteja
além do nosso
controle.
— Uma ova! Laura,
vamos à Ponte.
Na
Ponte...
— O quê?!
— bradou Conways
— Um ataque?!
— É o mesmo
tipo de nave que levou
o Capitão Magari
— colocou Hernandez.
— De fato. Abra
um canal.
No entanto, ao invés
de cumprir a ordem do
Capitão Conways,
a tripulação
não apenas não
abriu um canal, mas
também abriu
fogo contra a nave inimiga,
que bateu em retirada.
— Eu perguntei
o que estava acontecendo
e não obtive
nenhuma resposta conclusiva
— bradou Conways
—; depois eu dei
uma ordem direta e esta
não foi obedecida.
E, por fim, vocês
abriram fogo contra
a nave hostil sem a
minha autorização.
Isto tudo sem contar
que eu não fui
avisado do ataque. Alguém
tem alguma coisa a me
dizer antes que eu os
puna?
— O Capitão
Magari era um bajoriano
cretino — respondeu
o Tenente Lynx —,
mas era um bom capitão,
e recebeu o posto de
capitão da Wings
por mérito, não
por ser amigo de uma
almirante. Nem você
quanto a Hernandez merecem
seus postos, por isto
de agora em diante só
obedeceremos ao Comandante
McGown. E não
somos só nós:
de toda a tripulação,
a única pessoa
que continua obecendo
aos dois é a
Doutora Saak.