Saga
é a palavra que
melhor descreve a série
Guerra nas Estrelas
de George Lucas. Nem
mais, nem menos. Nesse
clima de eterna consagração,
que admitiu o famigerado
Episódio I, um monumento
aos efeitos especiais
de última geração com
estória de dar dó, é
que chega aos cinemas
brasileiros no começo
de julho o segundo (e
quinto) episódio da
luta contra o lado negro
da força.
Ao
contrário do primeiro
representante da nova
safra da epopéia, o
Ataque dos Clones enche
os olhos no conteúdo,
mas também arrasta uns
deslizes, afinal, nenhum
filme é perfeito. E
sim, os efeitos especiais
continuam magníficos
caso eu não tenha deixado
transparecer. Algumas
das tomadas são de tirar
o fôlego, quer pela
emoção, quer pela fotografia
belíssima.
No
campo do enredo, o que
realmente importa, a
estória acontece uma
década após os eventos
do Episódio I, quando
o jovem Anakim Skywalker
já é um aprendiz Jedi
arrogante e Obi-Wan
Kenobi (Ewan Mcgregor),
um senhor barbudo que
o instrui. A bela Natalie
Portman interpreta a
Senadora Padmé, uma
das defensoras da República
Galática, que logo na
primeira cena já sofre
um atentado político,
e o sempre venerável
Christopher Lee, encarna
o Conde Dooku, uma espécie
de ex-Jedi que agita
um movimento separatista
a ordem estabelecida.
Como
pano de fundo, o filme
traz a decadência da
República Galática e
a luta de Jedis, do
Chanceler Palpatine
e do Senado Galático
para manter a coesão
da estrutura governamental
e formar um exército,
na medida que mais e
mais planetas parecem
achar que melhor idéia
mesmo é formar uma nova
aliança, livre dos poderes
do Senado. E por aí
vai. A trama política
é pra lá de simples,
e meio mal explicada,
diga-se, quase passando
em branco.
Entre
alucinadas cenas de
ação e o desenrolar
romântico de Skywalker
e Padmé (Leia-se ex-rainha
Amidala), o filme dispersa
atenções entre variados
persoagens, dando destaque
especial ao velho e
bom Yoda, o personagem
preferido, ao lado de
Han Solo e Darth Vader,
dos fãs de Star Wars.
Mostra, entre outras
coisa, a crescente ambigüidade
de Anakim e as bases
do que virá a ser o
Dath Vader que bem conhecemos.
Ao
longo da película, tem-se
a nítida impressão de
que George Lucas tenta
costurar a trama da
série, revelando fatos
e interligando-os de
forma pouco satisfatória.
Críticas
de lado, o clima dos
filmes mais antigos
da saga parece revisitado
neste, isto é, é possível
sentir uma proximidade
maior
daquela
magia que transformou
Star Wars no fenômeno
que é hoje, sem exageros,
contudo. Há constantes
reviravoltas na trama
que, se não são tão
surpreendentes, fazem
bem o serviço e mantêm
o espectador grudado
na poltrona. Numa das
cenas mais eletrizantes,
diversos Jedis aparecem
juntos, guerreando como
nunca visto antes, dando
a noção de como era
essa antiga e nobre
ordem de veneráveis
defensores do bem.
O
ator Hayden Christensen
faz o papel do futuro
vilão Darth Vader e
tenta passar os dilemas
e inseguranças que reviram
a mente do personagem,
porém, força um bocado
no desempenho de algumas
cenas, onde declara
seu incomensurável e
intragável amor por
Padmé (ou Amidala? E
por que ela não envelheceu
um dia sequer?). Por
outro lado, consegue
passar o perfil atormentado
do vilão, que por bem
dizer começa a lambança
e também a encerra.
Quase
todos os personagens
do primeiro filme mostram
as caras no segundo,
inclusive, e infelizmente,
Jar Jar, que dessa vez
tem um papel mais discreto
(talvez pelas críticas
recebidas) e mais relevante.
Os supostos momentos
cômicos ficam para C3PO
e R2D2, o tico e teco
sci-fi, que como dito
em outra crítica desse
mesmo filme, parecem
ter suas memórias formatadas
no tempo de Luke Skywalker
e Cia., pois não lembram
dos fatos deste filme.
Concluindo,
o filme é muito bom
principalmente para
os fãs, os de carteirinha
em particular, de Star
Wars e passa por entretenimento
razoável para os leigos.
Imagens espetaculares
e efeitos especiais
e sonoros de ponta marcam
o ritmo da longa aventura.
O tempo passa num instante
e dá mesmo um aperto
no coração ao saber
que
só falta um filme para
completar a estória.
E os clones? Procurando
acha-se um outro, tudo
bem, vários, mas nem
sequer justificam o
título do filme. Como
foi dito, eles são o
pano de fundo filme,
bem de fundo e meio
desbotado. Mas que fica
bem no pôster do cinema,
isso fica. A melhor
parte do filme é o final,
que deixa um suspense
gostoso, e com data
marcada para ser saciado...