Fatos da Ficção
 
 
 

 



 

O Senhor dos Anéis - As Duas Torres

 

Como todo o fênomeno de público e bilheterias, O Senhor dos Anéis é, ao mesmo tempo difícil de explicar e de alguma forma fadado ao sucesso. Podemos perceber isso na própria atmosfera que exala do filme em si: tudo é grandioso e superlativo, impressionante e também cativante.

No fundo, o filme (e o livro, claro) é uma imensa metáfora que faz alusão aos importantes valores da amizade entre os homens e os elementos que podem levar a sua ruína. Com os Hobbits Frodo e Sam a amizade deve vencer as mais difícies circunstâncias da longa jornada que leva a Mordor, terra de Sauron, senhor de todo o mal. Vemos nessa nova película um amadurecimento do relacionamento desses dois personagens em relação ao primeiro filme.

Outro grupo de amigos é o composto pelo Humano Aragorn, o Elfo Legolas e o Anão Gimli. Novamente os sentimentos de que amizade pode separar a diferença reinam. No terceiro bloco os Hobbits e Pippin lutam para conseguir uma nova e importante amizade que ao final pode fazer com que o povo da Terra-Média tenha uma chance contra as forças do mal capitaneadas por Sauron e o mago Saruman, o Branco.

Assim, o filme começa mostrando esses três grupos e suas jornadas em linhas narrativas diferentes com ritmos diversos. Sam e Frodo encontram Gollum, uma criatura consumida pelo poder do Um Anel e levam-no como guia para entrar na poderosa fortaleza de Sauron. Gollum é sem dúvida um dos mais marcantes personagens de computação gráfica já feitos no cinema e provoca tanto arrepios quanto piedade, risadas e medo. Assim como Frodo ele é constantemente atormentado pelo poder do Um Anel. As cenas da sequência de Frodo e Sam são certamente as que trazem todo os suspense ao filme.

Pippin e Merry fogem dos orcs que os haviam raptado no final do outro filme e fogem para a sombria e velha floresta de Fangorn. Ao seu encalço estão Legolas, Gimli e Aragorn. Mas a trupe realmente não chega a se reunir. Os últimos três são surpreendidos por Gandalf que volta das profundezas do abismo das minas de Moria para ajudá-los em outra missão: libertar Rohan, terra dos cavaleiros, do feitiço de Saruman e defendê-la das forças dos Orcs e dos Homens da Montanha.

Agora sim é que se encaixa a palavra Épico, com maiúscula e tudo. As cenas da fuga do povo de Rohan para o Abismo de Helm e a fortaleza são fantásticas. Depois, no anoitecer uma batalha espetacular envolvendo centenas de elfos, milhares de humanos e orcs e um anão. Talvez tenha sido a mais espetacular batalha de capa-e-espada que o cinema já viu. Os cenários são maravilhosos e o ambiente fotográfico chega a passar uma estrenha sensação de claustrofobia de dentro dos portões de Helm. É a sequência que torna o filme memorável.

No terceiro plano, em tempo de exposição e importância, os dois hobbits Pippin e Merry se deparam com os Ents, os pastores de árvores, a quem acabam convencendo, depois de uma longa e, devo dizer, monótona linha narrativa, a entrar em guerra com Saruman, que destruíra para da floresta de Fangorn. Apenas aqui, quando da batalha dos Ents em Orthanc, a fortaleza de Saruman, é essa estória fica interessante, pois a batalha furiosa dos Ents faz juz ao melhores do filme.

Diferentemente do primeiro longa, este é mais soturno e sóbrio, com poucas passagens de humor. O anão Gimli carrega nas costas praticamente todos os momentos engraçados do filme, ajuda às vezes por Legolas (no antológico placar de mortes que cada um consegue em batalha) e às vezes por Aragorn (que atira o anão sobre uma pilha de orcs depois que o último adimite que não tem pernas longas o suficiente para o salto). De qualquer forma, humor não é o objetivo do filme.

No geral, medindo prós e contras, As Duas Torres é um filme melhor que A Sociedade do Anel. Nos efeitos especiais, relacionamento e desenvolvimento de personagens, clímax e anticlímax. A fotografia é um espetáculo a parte. As montanhas da nova Zelândia são magníficas.

Do ponto de vista da adaptação de roteiro, o diretor Peter Jackson consegue se manter fiel a boa parte do escrito de Tolkien, acrescentando ou retirando aqui e ali pontos da estória que não chegam a comprometer o filme. Os personagens femininos são um pouco "vitaminados" aqui, já que no livro apenas a sobrinha do Rei Théodhen, a bela Eòwyn, é que tem mesmo algum destaque. Talvez para justificar os caches pagos e aproveitar "modernizar" um pouco a narrativa, as personagens Arwen e Galadriel (que originalmente so apareceriam no final da terceira parte do livro, O Retorno do Rei), aparecem rápidamente em algo que poderiam ser descritos com "enxertos cinematográficos", não contribuem e nem atrapalham. Quase todas as passagens vistas no filme tem seu correspondente no livro, o que agrada os fãs de Tolkien e deixa o espectador por dentro do mais realista

dos universos fantásticos já criados.

O sucesso do filme vem se comprovando nas bilheterias, e não é nada menos que muito bem merecido. Agora é só esperar mais um ano para ver final da saga. A espera vai ser longa mesmo para aqueles que, como eu, já leram o livro.

Avaliação Final:

 

 
Última Modificação: 17 Novembro2002