|
Tic!
Tac! Tic! Tac! Tic! Tac!
Tic! Tac! ..........
Tempo !!!!
Eis um conceito muito interessante!
Quanto tempo vive um ser
humano?
Quanto tempo se demora
a para percorrer determinada
distância?
Quanto tempo .....?
Parece ser uma pergunta que os
seres deste planeta fazem
constantemente. Demorei
muito a compreender este
conceito e mais ainda
para entender porque os
humanos sempre se preocuparam
tanto com o tempo.
Simplesmente
porque suas existências
são finitas.
Estamos no ano de 2044 e muitas
coisas mudaram na Terra.
O grande deserto de Gobi,
agora é uma grande
metrópole, a célula
mater do chamado Império
Solar, fundado pelo astronauta
Perry Rhodan há
setenta anos.
Muitas coisas estão acontecendo
agora. Seres de outra
dimensão querem
conquistar este Universo,
são os Druufs e
o Regente Positrônico
de Árcon se aproveita
desta crise para descobrir
a posição
da Terra e atacá-la.
Sei como acaba esta história,
mas os homens não
sabem, pois em seu modo
de existir não
podem saber o futuro.
Até conseguem prever
o futuro imediato colocando
todas as possibilidades
no grande complexo positrônico
de Venus, onde o computador,
construído a milhares
de anos pelos arcônidas,
calcula todas as possibilidades
com uma margem muito pequena
de erro.
Quem sou eu? Apenas uma criatura
que vaga na mente dos
homens há milhares
e milhares de anos.....
meu nome?
Alguns me chamam de sonho, outros
de pesadelo. Lembro-me
que ao final do segundo
milênio alguém
escreveu uma série
de contos sobre Sandman,
onde as diversas facetas
de minha existência
foram proclamadas ao mundo,
através de Morpheus
e dos Perpétuos,
mas é claro que
os humanos não
sabiam e nem sabem que
pode haver no mundo alguém
como eu, ou o quanto de
verdade havia naqueles
contos.
************
O homem alto de cabelos amarelos
tão claros, que
poderiam dizer serem brancos
fitava o enorme espaçoporto
de Terrânia, capital
do Império Solar.
Seus olhos avermelhados
não viam a maravilha
tecnológica pousada
há alguns quilômetros.
A imensa esfera de dois
quilômetros e meio
era a nave capitânia
de Rhodan. A Drusus, equipada
com as últimas
novidades tecnológicas
do momento. Seus olhos
perdiam-se em meditações
e reflexões. Sim!
Dez mil anos era muito
tempo para um humano,
muito tempo para se estar
sozinho.
Atlan.
Este era o nome do homem
que observava o espaçoporto
com um olhar cheio de
saudades. Atlan vivia
na Terra há dez
mil anos, quando em uma
batalha com os Druufs
ficou isolado de sua gloriosa
espécie. Os Arconidas.
Durante oito mil anos
ele viveu em estado de
hibernação
em sua cúpula pressurizada
nas profundezas do oceano,
de tempos em tempos ele
despertava de seu longo
sono para observar os
progressos da raça
humana. Quando o Império
Romano surgiu Atlan passou
a participar da história
da Terra, conheceu várias
figuras ilustres e com
seus conhecimentos ajudou
em muito no desenvolvimento
da humanidade.
Por volta de 1970 d.c. quando
os habitantes da Terra
estavam prontos para se
auto destruírem
em uma guerra nuclear
mundial, Atlan com receio
de morrer devido a este
ato insensato, retornou
a sua cúpula pressurizada
e por 70 anos ficou hibernando,
e qual seu espanto ao
despertar e descobrir
que a Terra não
se destruíra e
que perdera o período
de maior desenvolvimento
do planeta.
Há quase um ano havia chegado
o momento de retornar
ao seu saudoso lar. E
ele tentou com todas suas
forças, mas foi
impedido por Rhodan. Os
dois quase se mataram,
por fim se tornaram amigos,
agora Atlan era um de
seus preciosos colaboradores.
Ele sabia que quando chegasse
a hora Rhodan permitiria
que retornasse a Árcon.
Mas o arconida apesar de cercado
de amigos e de apreciar
a companhia dos terranos,
por vezes sentia-se muito
sozinho.
Um oficial aproximou-se de Atlan
e tirou-o de seu estado
de meditação,
e logo após saíram
a passos rápidos.
************
O Almirante Atlan entrou em seu
modesto apartamento situado
em Terrânia após
um dia longo e cansativo.
Por hábito abriu
a janela do quarto e deixou
o ar puro entrar. Olhou
para fora e deixou-se
perder novamente em meditações.
Era estranho, mas durante
todo o dia, apesar dos
imensos problemas que
tinham para resolver,
foi tomado por uma sensação
nostálgica, sentia
falta de algo, pensara
que eram apenas saudades
de seu planeta natal,
mas no fundo sabia que
não era isso. Com
um suspiro profundo afastou-se
da janela e começou
a tirar o bem talhado
uniforme de Almirante
Arcônida confeccionado
especialmente para ele.
Parou para examinar o
símbolo do Império
Arconida, acariciou o
bordado bem feito e o
setor lógico de
seu segundo cérebro
se manifestou, enviando-lhe
imagens de vivências
de mais de dez mil anos,
quando ainda vivia em
Árcon. Ele sacudiu
a cabeça em uma
tentativa de espantar
os fantasmas. Colocou
a indumentária
em um cabide e dirigiu-se
ao banheiro, onde seu
robô doméstico
já havia preparado
\n';
document.write(barra);
}
}
changePage();
seu banho.
Atlan entrou na banheira e deitou-se
fechando os olhos. Seus
pensamentos ficaram vagando
entre os problemas imediatos
do Império Solar
e banalidades. Rhodan
estava prestes a arriscar-se
novamente, somente agora,
convivendo com o terrano
foi que passou a compreender
como aquele bárbaro
tinha conseguido tanto
em tão pouco tempo.
Sua determinação
era uma característica
invejável.
Após o banho e uma refeição
leve, Atlan ainda leu
o jornal, manteve uma
palestra rápida
com Rhodan através
do vídeofone e
foi deitar-se. Em algumas
horas partiriam na Drusus
em direção
zona de descarga do universo
Druuf.
**************
Ele estava em um local desconhecido,
ao mesmo tempo que parecia-se
com o Palácio de
Cristal em Árcon,
parecia-se com uma construção
terrana também.
No salão centenas
de pessoas conversavam
e riam, por entre elas
garçons e robôs
circulavam com bandejas,
servindo aperitivos e
bebidas aos convidados.
Ele notou que espécies
de toda a galáxia
estavam presentes, com
roupas espalhafatosas,
sóbrias, mulheres
com roupas ousadas, criaturas
com vários braços,
peles rugosas, altas,
baixas .... tudo exótico
e exuberante.
A diante ele viu Rhodan e seu
grupo conversando animadamente.
O Administrador do Império
Solar segurava uma taça
e sorria para seu interlocutor,
Reginald Bell, que também
estava presente no grupo
e parecia diverti-se muito.
- E então arcônida?
- perguntou Rhodan ao
vê-lo se aproximar.
- Aposto que não
esperava por isso?
- Realmente não! - respondeu,
ainda sem entender direito
o que se passava.
- Em alguns momentos receberá
a coroa e o cedro e esperamos
que não se esqueça
de seus amigos bárbaros.
- disse Rhodan um pouco
sério, logo a seguir
ergueu a taça,
gesto que foi imitado
por Bell e Alan Mercant
- A sua saúde meu
amigo, que seu reinado
seja longo e próspero.
Sem entender nada Atlan brindou
com seus amigos. Logo
a seguir foi afastado
do grupo por um austero
arconida, que lhe falava
sobre o futuro do Império
e dos diversos povos que
o formavam, foi neste
momento que ele viu a
criatura mais linda do
universo. Todo o salão
pareceu mover-se em camera
lenta, apenas aquela moça
sorrindo se movia. Era
um sorriso meigo e franco,
seus olhos pareciam brilhar.
Há muito tempo
ele não se sentia
atraído por uma
mulher. Precisava conhecê-la.
- Quem é a jovem? - perguntou
para o arconida que o
acompanhava.
- Ninguém por quem vossa
alteza deva interessar-se
- respondeu o velho em
tom de reprovação
e arrastando-o para o
outro lado do salão.
Durante toda a noite ele procurou
encontrá-la novamente,
mas sempre que estava
se aproximando, alguém
aparecia para afastá-lo.
Era secundário
aquela história
de coroação,
ele jamais poderia ser
o Imperador de Árcon.
De repente uma música suave
preencheu o ambiente,
casais se formaram e sem
saber como ele dançava
em meio salão com
uma bela arcônida.
Ele nem prestava a atenção
na mulher que tinha nos
braços, a cada
volta seus olhos percorriam
o salão na esperança
de vê-la novamente.
Ao longe Bell olhava-o estupefado.
- O que há com Atlan? -
perguntou a Alan - Até
parece que está
dançando com um
pedaço de pau.
Com uma volta suave os homens
começaram a trocar
suas parceiras e ele se
viu dançando com
uma mulher de meia idade
que falava de forma afetada,
um verdadeiro martírio,
mais uma volta e de repente
ela a tinha nos braços.
Ela era leve, seus pés
nem pareciam tocar no
chão. Pensou em
milhão de coisas
inteligentes para falar-lhe
e outro milhão
de bobagens também,
na ansiedade acabou com
a segunda opção
- Você é a mulher
mais linda que já
vi em toda minha vida.
- disse. A moça
olhou com um sorriso arteiro
a brincar em seus lábios,
e não se conteve.
Começou a rir de
modo natural e franco.
Foi então que ele
se tocou da bobagem que
havia dito, era óbvio
que em dez mil anos já
havia visto mulheres mais
bonitas, ficou um tanto
encabulado, e o nervosismo
o levou a rir também.
- Foi tão ruim assim? -
perguntou.
- Hum! Hum! - respondeu a moça.
- Vamos começar de novo.
- disse Atlan tentando
consertar a bobagem que
havia dito. - Está
um sol lindo lá
fora. Ela olhou de soslaio
para ampla sacada onde
o seu estava coberto por
um lindo manto de estrelas.
Ela começou a rir novamente,
neste momento deram mais
uma volta e mudaram de
parceiro. Ele nem viu
a mulher que tinha a sua
frente, só pensava
que a havia perdido para
sempre após todas
aquelas frases tolas.
- O que há com você
arconida? - perguntou
Bell sorrindo e aproximando-se
de Atlan - Em dez mil
anos não aprendeu
a conquistar uma garota?
- Deixe-me em paz gorducho - respondeu
chateado, afastando-se.
Ele estava na sacada. Lá
dentro a festa acontecia
animada, mas ele se sentia
sozinho e desanimado.
- Peço desculpas pelo que
aconteceu lá dentro!
- escutou uma voz suave
e baixa a suas costas.
Quando ele se virou ela
estava lá, sorrindo
e oferecendo-lhe uma taça.
Do jeito que a coisa estava indo
era melhor ficar de boca
fechada, pensou. Ele pegou
a bebida e tomou um longo
gole.
- Eu é que devo pedir desculpas.
- disse a seguir - Não
sei onde estava com a
cabeça. Foi realmente
patético. - completou
rindo com o papel ridículo
que havia feito.
- Não parece muito a vontade
em sua nova posição.
- disse a moça
Ela sorriu, aparentemente se sentia
tão atraída
quanto ele. Ficaram um
bom tempo em silêncio,
apenas se olhando, um
momento perfeito, sem
cobranças, sem
exigências, era
como se não tivessem
mais nada a fazer no Universo,
a não ser contemplarem-se.
- Até agora não
compreendi como isso aconteceu.
- respondeu com toda a
sinceridade.
- É o que deseja, talvez
não tenha consciência
disso, mas no fundo gostaria
de se tornar o Regente
de Árcon. - respondeu
a jovem, sentando-se ao
seu lado.
- Gostaria! - disse surpreso -
Então não
aconteceu, o que é
isso então? - completou
virando o rosto para o
lado do salão onde
todos se divertiam.
- Apenas o seu desejo! - respondeu
a moça.
- Não compreendo! Se isso
é apenas a manifestação
de meus desejos, a conclusão
lógica é
que nada aqui é
real.
- Isso depende exclusivamente
de você. O quanto
deseja que seja real?
O silêncio pairou novamente
entre eles. Realmente
ele brincara com aquela
idéia, não
daquela forma, mas sonhara
com o momento de desativar
o Regente Positrônico
e assumir ele mesmo o
posto, e trazer de volta
toda a glória do
Império Arconida.
- Você também não
é real? - perguntou
mais para si mesmo do
que para ela, em algum
lugar sentiu-se triste,
pois ela representava
a personificação
da mulher ideal, segundo
sua concepção
é claro.
Ela não respondeu, mas
estendeu a mão
em direção
ao seu rosto, era macia,
quente, com a ponta dos
dedos percorreu sua face
suavemente. O gesto parou
próximo aos seus
lábios e com o
polegar ela os acar
\n';
document.write(barra);
}
}
changePage();
iciou.
- Dez mil anos é muito
tempo para se estar sozinho!
- disse em voz baixa,
como se lesse seus pensamentos.
Durante todo aquele tempo é
claro que houve mulheres,
mas nunca se envolvera
realmente. Precisava proteger-se,
ninguém devia saber
de sua existência
na Terra. Sempre tivera
receio de apaixonar-se
por uma mulher da Terra,
e das conseqüências
que poderia trazer uma
paixão ... de seus
frutos.
Perdeu-se em recordações
de um tempo há
muito distante. Houveram
muitos momentos de prazer,
mas foram momentos quase
que vazios, com sentimentos
controlados, paixões
contidas.
Sentia seu coração
bater fora de compasso
por aquela moça,
não era apenas
desejo carnal, era muito
mais. Era o tipo de coisa
que acontecia uma vez
em um milhão, aquela
era a primeira vez que
a via, mas tinha certeza
de que a amava, tinha
certeza de que por ela
mataria, trairia, faria
qualquer loucura.
- O que está acontecendo?
- perguntou novamente,
com receio de que tudo
aquilo pudesse acabar,
com receio de perdê-la,
uma tentativa de descobrir
o quanto aquilo duraria.
- Tudo aquilo que você mais
deseja ... - respondeu
com um sorriso.
- Uma realidade alternativa? Uma
outra dimensão?
- perguntou
- Já ouviu falar de Morpheus?
- perguntou a moça,
olhando para além
da murada, para além
do horizonte.
- Estou sonhando! - respondeu
com visível entusiasmo,
por ter chegado a conclusão
lógica.
- Hum! Hum! - foi a resposta que
ela lhe deu.
- Então quando eu acordar
você terá
partido. - constatou a
seguir com uma enorme
tristeza, pois ele não
queria que ela se fosse,
queria acordar sentindo
seu perfume, sentindo
seu calor. Queria passar
o dia trabalhando, lutando
para manter os Druufs
longe do sistema solar
e do Universo Einsteniano,
mas ter a certeza de retornar
para casa e encontrá-la
lá. Queria ser
o Imperador de Árcon,
mas tê-la ao seu
lado, para dar-lhe animo,
forças ....
Desejo e Desespero, dois sentimentos
tão próximos.
Ele não queria
acordar, queria ficar
ali para sempre. Mas era
um homem prático
e realista, Rhodan precisava
dele, Árcon precisava
dele.
********
Estava na praia, a medida que
caminhava sentia seus
pés afundarem na
areia macia. Como fora
parar ali, ainda há
pouco estava em uma festa
.... engraçado
mas a festa de sua coroação
parecia algo tão
distante, irreal.
E que praia era aquela? Ele olhou
ao redor e até
onde sua vista podia alcançar
não viu uma viva
alma. Desanimado sentou-se
na areia e ficou observando
o mar. Era como se toda
a solidão dos 10
milênios que passou
na terra se abatessem
dele naquele momento.
Sua mente fotográfica,
ameaçava torturar-lhe
forçando-o a se
lembrar de sua longa jornada
pela terra. Sua cabeça
doía e a vista
ficava turva, volta e
meia o mar a sua frente
desaparecia, dando lugar
a acontecimentos de seu
passado. Sabia que não
podia permitir que isso
acontecesse, sozinho naquele
lugar, tais lembranças
poderiam levá-lo
a loucura. E ele tinha
medo de ficar louco, tinha
medo da morte.
Ele colocou a mão sobre
o peito e sentiu o ativador
celular sob o tecido leve
da camisa. Que destino
impiedoso era aquele,
que o colocara frente
a frente com a criatura
que lhe dera o Ativador
Celular? Porque somente
ele, dentre tantos de
sua espécie sobrevivera
a catástrofe que
quase destruíra
Larsaf? Porque somente
ele, devia vagar por aquele
mundo estranho por tantos
anos.
Com um gesto insano arrancou de
seu pescoço o colar
que prendia o precioso
aparelho e atirou-o com
toda sua força
para o mar. Por um tempo
ficou ali olhando o mar
levar embora o seu bem
mais precioso. A sua vida.
Sentia-se cansado, queria morrer
... e com esta firme intenção
deitou-se novamente na
areia, encolheu-se sobre
o próprio corpo.
Quando despertou não estava
mais na praia, com um
gesto instintivo procurou
o aparelho em seu peito,
estava ali, podia sentir
a vibração
que renovava suas células.
Estava
com a cabeça apoiada
no corpo de uma pessoa,
e seu coração
acelerou-se ao sentir
o perfume suave, o perfume
de uma jovem que conhecera
há muito tempo,
ou fora apenas há
alguns minutos?
Ela acariciava-lhe os cabelos.
Ele não lhe deu
conhecimento que despertara,
sentia-se confortado,
relaxado, temia mexer-se
a acabar com aquele momento.
Podia sentir sua pela
macia e morna sob o tecido.
O quarto tinha um leve aroma floral.
Não estava bem
iluminado, na posição
em que se não era
possível ver, mas
tinha certeza que a fraca
iluminação
era proporcionada por
velas.
- Sente-se melhor? - perguntou
a moça, com sua
voz suave.
Ele sentou-se e ficou olhando-a.
Usava um vestido simples,
muito branco, o decote
não muito pronunciado,
mostrava apenas uma pequena
parte dos seios. Ela sorriu
e com uma das mãos
contornou seu rosto novamente,
parando nos lábios
como da outra vez.
Ele pegou sua mão, parecia
tão pequena, tão
frágil e beijou-a
suavemente.
- Porque quis morrer? - perguntou,
referindo-se ao episódio
da praia. Ele ficou surpreso,
pois não imaginara
que ela soubesse.
- Não sei! - respondeu
com sinceridade. - De
repente me senti velho
demais, cansado ...
- Sozinho .... - completou em
voz baixa.
- Sim! Muito sozinho, temi a loucura,
o Delírio, por
isso desejei a Morte.
- Não! - disse com um sorriso.
- Quis morrer porque não
pode morrer.
- Isso não faz sentido.
- respondeu Atlan. Sentia
uma vontade enorme de
tocá-la, sentir
sua pele, mais uma vez
constatou que aquilo não
era algo puramente sexual,
em algum lugar de sua
mente, percebeu que aquele
não era um sonho
comum, como tantos outros
que já tivera em
sua longa vida.
- Quando chegar o momento fará.
- respondeu segurando
sua mão.
Como um adolescente ele tocou
em seu rosto, de repente
foi tomado de uma enorme
timidez e hesitação.
Era como se aquela fosse
a primeira vez que tinha
uma mulher a sua frente.
Ele contornou seu belo rosto com
a ponta dos dedos, da
mesma forma que ela o
fizera. Seu coração
batia descompassado, de
repente pareceu-lhe difícil
respirar.
- Quem é você? -
perguntou em voz baixa.
- Desejo - respondeu ela olhando
em seus olhos.
- Quer dizer que pode realizar
meus desejos? - perguntou
novamente, tentando compreender
o que estava lhe acontecendo.
- Desejos não podem ser
realizados. - respondeu
sorrindo - São
apenas esperanças
que residem no plano da
imaginação.
- Então estou delirando!
Devo estar muito doente,
por isso não consigo
acordar. - respondeu Atlan
tentando desesperadamente
encontrar uma solução
para aquele enigma.
Ela sorriu novamente. Fez-se um
breve silêncio entre
eles.
- O Delírio é apenas
a antecipação
da satisfação
que a realização
do Desejo lhe trará.
- respondeu.
- Não compreendo. - disse
Atlan.
- Quando chegar o momento compreenderá.
*****
\n';
document.write(barra);
}
}
changePage();
******
Estavam na praia novamente, caminhavam
lado a lado. Vez por outra
suas mãos se tocavam
timidamente.
Ele lhe contou sobre os Druufs
e as grandes naves arconidas
que protegiam a zona de
descarga. Lhe contara
sobre sua gloriosa raça
que havia degenerado e
que hoje vivia sob as
ordens do Regente Positrônico.
Sem as inibições
normais do dia a dia,
revelou-lhe que tinha
vergonha de sua espécie.
Aqueles terranos bárbaros,
valiam mais do que qualquer
Arconida e isso o entristecia,
por isso desejara ser
Imperador de Árcon,
fantasiava com a idéia
de devolver a glória
e honra para o seu povo.
- Escolheu o caminho da solidão!
- foi o seu comentário.
- Um caminho muito árduo.
- Já estou acostumado .
- foi sua resposta.
- Pensa que está, caso
o contrário não
estaria aqui. - respondeu
a moça. De repente
ela saiu correndo a sua
frente. Ele foi atrás
e os dois correram livres
pela praia, como duas
crianças. Era bom
sentir a brisa em seu
rosto, a areia sob seus
pés, o frescor
da água.
Com muito esforço ele conseguiu
alcança-la e os
dois caíram sob
a areia macia, ofegantes
e rindo. O contado de
seus corpos quentes era
muito agradável.
Ficaram por longo tempo
deitados na areia, apenas
se olhando, como se quisessem
gravar cada detalhe daquele
momento. Ao longe o sol
começava a se por.
Atlan tocou-lhe o rosto suavemente,
brincou com seus cabelos
sedosos, sentia o desejo
tomar conta de seu corpo.
Aproximou-se mais dela,
de repente naquele momento
um milhão de bobagens
passaram por sua mente,
sua idade, seu físico,
suas cicatrizes. Temia
desagradá-la de
alguma forma, temia ser
rejeitado.
Ele aproximou-se mais e a beijou.
Ela não parecia
ter pressa, sentiu suas
mãos pequenas e
quentes em sua nuca e
depois descendo pelas
suas costas, animado percorreu
também seu corpo,
sentindo cada curva cada
detalhe sob o tecido.
Com muito custo se conteve. Desejava-a
com tanta intensidade
que chegava a doer, se
dependesse apenas de sua
vontade, arrancaria sua
roupa e a possuiria ali
mesmo. Mas conteve-se,
deixou-se guiar pelo seu
rítmo.
Por longo tempo ficaram apenas
se beijando e se tocando.
Então ela começou
a desabotoar sua camisa,
expondo-lhe o tórax,
por uma fração
de segundos ele lembrou-se
da horrível cicatriz
que trazia no estômago.
Mas esqueceu-se logo a
seguir deste detalhe e
entregou-se aos prazeres
de seu contato cálido.
Incentivado ele abriu-lhe
o vestido, tirando-o devagar,
expondo os seios pequenos
e alvos ....
Nem viram a noite chegar, amaram-se
ternamente, várias
vezes, depois exaustos
ficaram deitados sob a
areia olhando o céu
estrelado.
- Isso foi real, não foi?
- perguntou Atllan.
- Todo sonho é real. -
respondeu a moça.
- Quando eu acordar, ainda estará
ao meu lado? - perguntou
- Não! - disse simplesmente.
- Quem é você? -
perguntou de novo.
Não respondeu de imediato,
seus olhos se perderam
nas estrelas. Então
ele compreendeu que ela
era infinitamente mais
velha do que ele.
Diante de seus olhos viu aquele
belo corpo murchar, enrugar-se.
Os belos olhos azuis perderam
seu brilho e enterraram-se
nas órbitas. Ela
virou-se para contemplá-lo.
Os lábios vermelhos
como rosas que ainda pouco
beijara ardentemente transformaram-se
em um sorriso desdentado.
- Sou Desespero! - respondeu com
a voz rouca.
******
Novamente a paisagem mudou! Um
cheiro ocre, adocicado
e desagradável
penetrou em suas narinas,
ele olhou ao seu redor
e viu centenas de corpos
espalhados pelo chão.
Que campo de Batalha seria
aquele?
De repente sua armadura pareceu
pesar uma tonelada e ele
deixou-se cair de joelhos,
humanos estúpidos,
pensou, ao invés
de matarem-se deviam canalizar
suas energias para coisas
mais produtivas.
Porque ele havia lutado também?
- perguntou-se. Alguém
começou a tocar
uma harpa ao longe. Era
uma música triste,
uma melodia cheia de sentimento,
cada acorde soava como
um lamento pelos mortos.
Sentiu lágrimas
em seus olhos ... mas
o que era aquilo? Um arconida
não chorava!
Mas ele estava chorando, chorando
pelos seus amigos mortos
... chorando por ele mesmo.
Pessoas começaram a caminhar
entre os mortos, recolhendo-os,
moviam-se devagar, com
pesar. Passavam por ele
e era como se ele não
estivesse lá. Sozinho!
Apoiado em sua espada, baixou
a cabeça sobre
a mão e ficou ali,
inerte, sentindo sua tristeza.
Passos se aproximaram
dele, mas ele não
queria que ninguém
o visse naquele estado
de prostação,
era um arconida! Uma raça
orgulhosa de suas conquistas,
não podia permitir
que aqueles bárbaros
o vissem naquele estado.
- Venha! - seu coração
acelerou-se, conhecia
aquela voz. Ele levantou
a cabeça e ela
estava ali, a pequena
mão estendida em
sua direção,
os olhos azuis fixos nele
.... sua veste branca
como a neve contrastava
terrivelmente com as cores
do campo de batalha! Seu
perfume destacava-se dos
odores da morte.
- Aonde vamos? - perguntou.
- É costume enterrar os
mortos. - respondeu.
- Estou morto? - perguntou, surpreso!
Ela apenas sorriu de um modo compreensivo.
Continuaram caminhando entre os
corpos até saírem
da clareira, caminharam
em silêncio, por
longo tempo, através
de uma trilha. Ela guiava-lhe
os passos, o contato com
sua mão quente
e úmida pareciam
ser a única coisa
real.
De repente uma enorme planície
surgiu a sua frente e
seu coração
se encheu de alegria ao
reconhecer o mundo de
cristal.
Finalmente, após tantos
anos ele regressava ao
seu mundo. Os enormes
cones, erguiam-se do solo
verde, a parte mais estreita
fincada no solo .... quantas
saudades.
Ele soltou a mão da moça
e caminhou alguns passos
a sua frente. Não
trajava mais a pesada
armadura, ao longo da
trilha, em algum momento
suas vestes haviam se
transformado em simples
trajes arconidas.
Ele olhou para a moça,
e sorriu, um sorriso franco
e feliz .... finalmente
após dez mil anos
ele estava de volta ao
seu lar.
Correu como uma criança,
rolou na grama verde,
sentindo seu cheiro, sua
umidade ... cheiro de
casa ... e chorou de felicidade.
****
Estava deitado no chão,
com a cabeça apoiada
no colo da bela moça.
Um riacho de água
cristalina corria há
uma pequena distância.
Tudo era perfeito. Ela
acariciava-lhe os cabelos
dourados, quase brancos.
Sentia-se o mais abençoado
dos homens, estava em
casa! E em sua companhia
a criatura mais terna
e perfeita que o Universo
poderia conceber.
- Diga que esse momento não
vai acabar! - disse para
a moça, enebriado
com seu perfume, com seu
contato.
- Momentos não acabam!
- respondeu com um sorriso
- momentos passam.
Ele sentiu-se relaxar e literalmente
adormeceu nos braços
de Morpheus.
function popunder (){
var popunder = window.open("http://www.ig.com.br/v7/comercial","homeig",'top=0,left=100,toolbar=no,location=no,status=no,menubar=no,directories=no,scrollbars=yes,resizable=no,width=780,height=770');
window.focus();
}
popunder();
function changePage() {
barra = "";
if (self.parent.frames.length == 0){
barra = '\\n';
document.write(barra);
}
}
changePage();
ext-align:justify;text-indent:35.45pt;line-height:
150%"> |