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Decisões
Capítulo 1 - Parte 1
Planeta Thassos - Colônia da Federação
O dia estava claro e o céu apresentava uma coloração de tom avermelhada, comum ao planeta devido a composição de sua atmosfera. Thassos era um planeta difícil de explicar, pois apesar dos “especialistas” da Federação tivessem declarado que ela era Classe M, Thassos tinha uma distribuição equilibrada no que se refere a composição entre a área coberta pelo mar e sua extensão de terra. Metade da área do planeta estava sob água enquanto a outra metade se dividia em 8 continentes. Do platô onde havia sido instalado o centro de observações da colônia podia-se avistar uma vasta floresta tropical de milhares de quilômetros que rapidamente se perdia do alcance da visão cortada por um emaranhado de rios de águas claras. Olhando na direção contraria podia-se avistar uma grande planície de vegetação rasteira. Aquela era a montanha mais alta da cordilheira onde estava o centro de operações da expedição e que dividia duas paisagens tão distintas, e esta podia bem ser a síntese de Thassos; Em um momento céu claro, limpo, um dia perfeito, no outro fortíssimas tempestades tropicais e intensos campos eletromagnéticos. O hemisfério Sul onde estava a base era habitável, mas o hemisfério norte era um amontoado de rochas e constantes erupções vulcânicas seguidas de tremores de terra . Ainda não havia sido possível fazer uma avaliação melhor do planeta, mas algumas teorias haviam sido levantadas. Acreditava-se que tanta instabilidade e disparidade de condições se devesse ao fato de ser um planeta de formação recente, devido a isto a intensa atividade vulcânica e sísmica por conta do assentamento das camadas internas, entretanto isto não explicava as condições tão dispares entre os dois hemisférios e os estudos neste sentido só poderiam começar quando chegasse o restante da equipe de pesquisa e para isso era necessário estabelecer as melhores condições possíveis para que se pudessem trazer mais pessoas para aquele lugar. Este era um dos motivos daquela base ter sido montada ali. Os técnicos e oficiais da frota deveriam primeiro estabelecer uma base de observações naquele local. A seguir, iniciar um levantamento do hemisfério sul, incluindo as condições climáticas no período de 2 anos terrestres, que era o tempo que o planeta levava para completar sua orbita em torno do Sol daquele sistema. A terceira fase deveria mapear o hemisfério norte, mas só começaria em mais 6 meses pelo menos. Se tudo desse certo, Thassos seria uma excelente fonte de energia geotérmica e poderia ser usado como colônia da federação
e porto para naves estelares em missões de exploração de longa duração. Todos os alojamentos, escritórios e laboratórios foram construídos em módulos de apenas um andar devido a instabilidade da superfície. Devido as condições existentes a frota disponibilizou uma nave de escolta e duas naves auxiliares do tipo explorador para o planeta , pois haviam poucas informações e tudo ainda eram muito imprevisível, além disto havia mais um bom motivo para precauções. Thassos era a base mais distante de qualquer posto de federação e estava a dois dias da Zona neutra Romulana em dobra 5.
Eram as primeiras horas do dia, que no caso de Thassos durava cerca de dezesseis horas terrestres, e as equipes estavam recomeçando seu trabalho. A maior parte do pessoal ainda era de apoio por isto a grande quantidade do oficiais membros da frota estelar. Estavam ainda no fim da fase de implantação da colônia, e os cientistas ainda eram poucos. A Dra. Kyle Monroe primeira geóloga a chegar ao planeta, o Tenente Krieg, responsável pela segurança do grupo, o Dr. Takeda, médico, Jason Thompson, responsável pelas expedições de reconhecimento, Tenente Reyad (Bajoriano ), chefe de operações eram os lideres da expedição, estavam reunidos para repassar os planos para aquele dia.
- ,,, então iremos até o limite da floresta, onde se inicia a área arenosa e embora usemos os exploradores, parte da rota terá de ser feita a pé, pois Karina pretende recolher algumas amostras da vegetação. - Disse Kyle .
- Percurso perigoso, Dra. . As áreas próximas a Dite são sujeitas a erupções de vapor e explosão de gases. - Dite, a cidade do 7º circulo do inferno de Dante Alighiere, apelido atribuído por alguns pesquisadores terrestres devido as altas temperaturas ali encontradas era o local ao qual se referia Thompson, seguido por Reyad :
- Jason esta certo, Dra. Mesmo para os exploradores, é arriscado andar tão perto de Dite . Eles ficam muito sobrecarregados quando operam dentro da atmosfera . Nossa ultima expedição quase teve baixas por termos chegado tão perto .
- Concordo com vocês, mas estamos completando a fase dois, e isto significa que em breve vamos começar a mapear o hemisfério norte. Já conhecíamos os riscos e agora vamos ter que dar conta deles, e por falar nisto, pelo que soube o estado de Helen e Malcon melhorou, não é Dr. ?
- Sim Kyle, eles estão bem melhor, mas os danos causados são muitos. A explosão de gases os pegou com muita forca. Ficarei mais aliviado quando eles forem levados para tratamento. Alguma noticia da frota estelar ?
- A frota vai mandar uma nave para buscar os feridos. Ainda não sei ao certo qual, mas acredito que seja a Bozeman. - Krieg informou com sua habitual objetividade. Desde o acidente com o grupo ele assumiu uma postura mais fechada do que de costume, pois sentia-se meio culpado pelo que aconteceu. Kyle havia notado isto e tentava animar o oficial .
- Você não pode ficar se culpando pelo que aconteceu, Krieg . Foi um acidente.
- Eu devia cuidar da segurança de vocês, e eles quase morreram .
- Foram descuidados e você não pode fazer nada sem colaboração de todos, agora preciso que você destaque um grupo se segurança para ir com a equipe de pesquisa. É possível?
- Claro Dra.! Considere feito.
- Bem, precisamos acertar os detalhes, para a expedi,,,,,, - Kyle foi interrompida por um barulho ensurdecedor, seguido de um silvo longo.
Instintivamente todos olharam para o alto a tempo de ver o rastro em forma de uma bola de fogo que cruzou o céu de Thassos. Uma massa não identificada em volta em chamas que desapareceu tão rápido como surgiu e enquanto as pessoas tentavam entender o que estava acontecendo, Reyad entrou em contato com o grupo de observação para tentar descobrir algo .
- Reyad chamando posto numero 1. O que foi isto David ?
- Passou muito rápido e em chamas, mas parecia uma nave de algum tipo. - Respondeu o atônito oficial que estava de serviço no posto.
- Nave ?
- Eles não tem certeza, mas é o que parece. Não temos equipamento para rastrear atividades fora da atmosfera.
- Atmosfera !!! - Disse Kyle - Talvez possamos descobrir alguma coisa. Vamos a estação meteorológica .
Ninguém entendeu muito o que ela queria dizer, mas a seguiram enquanto cada um ia formando uma teoria diferente para o que acabara de acontecer, que por mais diferentes que fossem terminavam em Romulanos. Kyle entrou apressada no modulo onde estava a estação meteorológica, e percebeu que Sakati já havia chegado lá e estava debruçado sobre os instrumentos. Dirigiu-se a ele perguntando ao Vulcano :
- Parece que algum tipo de nave caiu no planeta. Será que podemos descobrir algo com o equipamento que temos ?
- É possível Dra. . Estou trabalhando nisto.
- Alguém pode explicar o que estão fazendo ? - Takeda estava aflito. - Sakati começou a falar sem tirar os olhos dos instrumentos.
- Não temos instrumentos que permitam rastrear e identificar um veiculo espacial, supondo que foi isto que vimos em chamas, entretanto, temos varias estações meteorológicas no planeta monitorando as variações climáticas. Estas estações devem ter captado os distúrbios causados pela entrada violenta do de tal veiculo na atmosfera. O vortex seria fortíssimo, deixando uma espécie de rastro que seria seguido pelas sondas.
- E que tipo de informação acha que pode conseguir ? - perguntou Reyad
impaciente pela dissertação do Vulcano.
- As sondas estão indicando que o objeto entrou na atmosfera na posição 193.5,
seguindo um curso 104, descendente, porem relativamente controlado a uma velocidade do 800 Km por hora. Pelo Vortex gerado e quantidade de calor calculo a massa do veiculo em 250 toneladas.
- Bem já sabemos que a coisa era realmente uma nave espacial, mas de onde? - era a voz de Takeda ainda tenso . - Será que são Romulanos ? Sakati então prosseguiu :
- Levando em consideração que o equipamento não é apropriado, podemos usar os marcadores de radiação para fazer uma analise do rastro de partículas deixadas pelo veiculo e elas indicam uma assinatura diferente do que conhecemos da tecnologia dos Romulanos, porem devo ressaltar que conhecemos pouco a respeito da tecnologia deles.
- Bom, já uma boa noticia, graças a Deus !
- Senhor Krieg , não existe nenhuma divindade envolvida em meus cálculos .
- Esta bem , esta bem . Da para ter uma idéia de onde caiu ? - Perguntou Kyle .
- Bem no meio de Dite .
- Precisamos ir até lá e descobrir o que aconteceu .
- Dra., não posso concordar com isso. Só o que temos são uns poucos dados e muitas suposições. - Pode ser Qualquer coisa, e alem do que o objeto caiu bem no meio do inferno. - Krieg demostrava sua preocupação com a idéia da Dra. Kyle de ir até o local da queda do objeto .
- Tenente, entendo sua preocupação , mas se forem amigos podem precisar de ajuda , e se forem Romulanos ou qualquer outra coisa, então é ainda mais importante que saibamos o que aconteceu ao certo .
Reyad interveio :
- Krieg, por mais que eu não goste disto, ela tem razão. Precisamos saber o que aconteceu. Vamos formar um grupo de busca e usar os dois exploradores, um deles vai entrar no região para a busca e o outro ficara aguardando a uma distância segura, para o caso de uma eventualidade. A Dra. Kyle, eu, o Dr. Takeda, Sakati e mais uma equipe de segurança iremos primeiro no Greendevil, você e Thompson levam uma segunda equipe no BlackAngel. Avise a frota o que aconteceu e o que estamos fazendo e depois reuna as equipes.
- Não seria melhor esperar a chegada da frota Reyad ? Logo deveremos ter uma
nave aqui .
- Não sabemos quando eles vão chegar portanto é melhor investigarmos .
- Esta certo então. Vou organizar as equipes. Estaremos prontos em 10 minutos.
- Krieg finalmente assentiu, mas não deixava de demonstrar sua insatisfação com a idéia. Em quinze minutos as equipes estavam formadas e os exploradores se colocaram a caminho. A viagem deveria levar cerca de sete horas e neste tempo todos pensavam em o que lhes aguardava em Dite .
7: 00 hs depois
Reyad manejava os controles enquanto
Sakati se encarregava de procurar sinais do veiculo. A tarefa deles se complicava a medida em que eles entravam na área vulcânica. Erupções constantes irrompiam a todo instante pelo ar levando chamas, gases e lançando pedras que poderiam atingir o explorador. Sakati havia se encarregado de traçar um curso que fosse mais seguro, mas as rajadas de ar quente criavam turbulências fortíssimas e fazia com que o Greendevil balançasse demais deixando seus passageiros tensos. O BlackAngel mantinha constante contato enquanto aguardava, e a voz de Krieg era ouvida por todos dentro do aparelho.
- Reyad, como vocês estão ?
- Por enquanto bem ,,, Difícil manobrar ,,, rajadas fortes de vento ,,, e pouca visibilidade . Sakati pegou um sinal nos sensores ,,, estamos indo investigar ,,,
- Estamos na sua escuta. Deixe o canal aberto .
- Entendido ,,,
A situação de Krieg e Thompson era mais cômoda, mas nem por isto menos tensa. Enquanto os outros tinham que se preocupar com a nave, a única atividade deles era imaginar o que poderia estar acontecendo, enquanto olhava para o painel de comunicações, e ele não conseguia afastar um pensamento ruim de sua mente enquanto podia ver pela escotilha de observação Thompson que olhava para o meio de Dite com os óculos de alcance, mais nada poderia ser visto dali. De qualquer forma ele também não tinha nenhuma outra forma de passar o tempo. O restante do Grupo, oficiais da frota que formavam a equipe de segurança conversam sobre o mesmo assunto que passava na cabeça dos dois ,,, De repente ouviu-se Reyad pelo comunicador do BlackAngel :
- BlackAngel, pegamos algo. Sakati confirmou indicação nos sensores. Estamos indo para lá .
- Sinais de vida ?
- A essa distância e com a interferência não podemos ter certeza ainda, mas parece que sim.
- Que interferência ? Não devia haver nada ai que causasse interferência nos equipamentos!
- Alguma coisa esta interferindo ,,, mas foi confirmado sinais de sobreviventes,,, estamos nos aproximando. E vocês não vão acreditar mas estamos entrando numa área sem atividade vulcânica. Os ventos cessaram e as condições de vôo estão ótimas embora ainda esteja quente. Este planeta é mais louco do que eu pensava. Estamos fazendo contato visual com o objeto. Confirmando nave espacial ,,,
- Já consegue identificar quem são ?
- Sim, e você não vai acreditar se eu disser ,,,,,,,,

6 meses depois

" Diário pessoal, data estelar 5432.3. A Enterprise dirige-se a base estelar 74
onde deverá se reunir com a USS Avenger. Esta nave fará seu ultimo teste antes de ser comissionada. A almirante também solicitou que observássemos o oficial que comandara a nave durante estes testes , o Tenente comandante Hendrik. A frota estuda a sua promoção a Capitão, apesar dele ser ainda muito jovem e por este motivo me foi feito um pedido de uma avaliação do comportamento dele durante esta pequena missão. Pessoalmente acredito que a experiência em um Capitão de uma nave estelar seja fundamental , mas seguirei as ordens e tentarei fazer a melhor avaliação possível. "
Fim do Registro – Jean Luc Picard no comando.
A reunião dos oficiais executivos onde foram discutidas as próximas ordens que seriam seguidas pela Enterprise havia terminado e as pessoas estavam voltando a seus afazeres. Ninguém gostou muito do que os esperava e isto ficou evidente nas manifestações de desolação implícitas nas suas reações. Apenas o primeiro oficial Willian Riker ficou na sala junto com o Capitão.
- Tem algo mais a dizer Will ? – perguntou-lhe Picard ao ver que Riker
permanecia ali.
- Me parece que mais alguma coisa lhe incomoda nesta missão. Talvez o fato de escalarem a nós para babás de uma nave de treinamento !?
- Não é exatamente o tipo de missão que espero receber do comando da frota mas é uma missão afinal de contas. Além do mais os argumentos da Almirante Hernandez foram relativamente convincentes ao menos para mim. A Avenger estará totalmente armada e sem nenhum lacre de segurança. Todo o potencial da nave estará disponível pois os sistemas precisam ser testados.
- E ela quer que fiquemos por perto para o caso de problemas, eu sei, mas não seria mais seguro colocar uma tripulação mais experiente na nave para fazer os testes ?
- Sabe muito bem que tripulações experientes são um luxo que temos pouco devido as perdas nas ultimas guerras. Seria complicado dispor de pelo menos 500 tripulantes para um período de 8 semanas além do que os tripulantes daquela nave já fizeram todos o testes que tinham que fazer e serviram em postos menores. Apenas aguardam seu comissionamento em algum posto que devera ser a própria Avenger segundo a almirante. Além do mais ela acha que podemos aproveitar este tempo como umas férias.
- Não é exatamente esta a idéia que eu tenho de ferias mas se é assim, não terminar logo com isso. O que o incomoda então ?
- Will ,,, - Picard estava reticente - Você o conhece o Comandante Hendrik ? As informações que tenho dizem que ele serviu na Hood ?
- Não senhor, ele foi transferido para a Hood quando eu vim para a Enterprise, mas li sua folha de serviço : Um bom cadete na academia. Notas acima da média e pelo que pude ver do relatório final, tem um bom poder de liderança, e demostrou isto nos postos onde serviu. Qual o problema com ele ?
Picard foi até a escotilha e enquanto fitava as estrelas, então respondeu :
- O fato de uma pessoa tão jovem poder vir a comandar uma Nave Estelar. Também li este relatório. Notas elevadas em táticas militares, excelente desempenho em combates simulados e extremamente agressivo quando em combate. Parece gostar de batalhas e não sei como uma pessoa assim se comportaria sobre pressão. Estar no comando de uma nave estelar as vezes pede que se tenha mais diplomacia do que poderio de fogo. Em diversas situação somos a federação no espaço e o que fazemos ou não tem reflexos muito além do que podemos imaginar . Não somos rangers Will , somos embaixadores .
- O Senhor terá a oportunidade de fazer uma avaliação pessoal, Capitão. Poderá ver se como ele se comporta em comando e recomenda-lo ou não .
- Sei disso, e não gosto desta idéia de ter a decisão sobre a carreira de alguém que conheço tão pouco e não sei se o que faremos nas próximas semanas vai me dar dados suficientes, mas se é assim que a frota deseja, assim será .
Neste momento os dois ouvem a voz do tenente comandante Data soar pelo intercom.
- Base Estelar 47 ao alcance , Senhor . Estimativa de chegada : 30 min .
- Entendido Comandante . Eu e Sr . Riker estaremos a caminho em breve
Então , virou-se novamente para Riker , dizendo
- Bem Will , em breve estaremos condições de dirimir nossas duvidas .

Base Estelar 74
A base Estelar 74 , em orbita de Darsas 3 era algo impressionante. Totalmente equipada para montar e reparar naves estelares de qualquer porte, ela era inacreditavelmente enorme e sempre causava admiração aquele oficial que já havia servido em naves da classe Excelsior e Galaxy e que por maiores que fossem, eram ínfimas perto da BE. Enquanto estava na área de atracagem da doca espacial observava a nave que comandaria durante as manobras de teste em conjunto com a Enterprise. A Avenger impressionava. Ele a vira pela primeira vez ali na doca, mas já conhecia seu desenho, pois acompanhou a montagem da USS Sovereign nos estaleiros de utopia, mas não esperava a oportunidade de comandar uma dessas tão cedo . Sabia que a frota o achava muito jovem para o comando, embora tivesse demonstrado suas aptidões por diversas vezes tanto na Hood quanto na Venture. Sabia que muitos o consideravam agressivo demais, e tinham receio a respeito disto. Ele achava engraçado enquanto lembrava que foi esta agressividade que fez com que a Venture sustentasse o ataque ao Cubo Borg no setor 001 até a chegada da Enterprise mesmo depois que o comandante se feriu a ponto de não poder comandar a nave e o Almirante deu ordens de retirada. Recebeu uma recomendação por bravura e uma reprimenda por desobedecer ordens, mas as circunstâncias atenuantes o livraram de maiores problemas. Sabia que a Enterprise fora escolhida para este teste por que ele também estaria sendo testado, se podia ou não ter a chance de ter seu
próprio comando, e Picard era o melhor. O "velho ranzinza "(como era conhecido na frota pela sua reputação de exigente ) era a pessoa a quem devia provar que podia comandar e Hendrik faria o melhor possível para isto. Enquanto observava, pensava em sua vida e nas coisas que deixou para traz para estar ali. Não tinha uma família . Seu pai, um engenheiro civil e sua mãe morreram em uma colônia terrestre, vitimas de um acidente enquanto trabalhava na construção de um novo prédio, seus amigos eram todos oficias da frota e estavam espalhados pelo espaço, e Lee ? Ele havia desistido dela quando decidiu entrar para a frota. Ela não sairia da Terra, deixaria seus amigos, sua família e ele queria ir as estrelas. Ela não entenderia e jamais disseram adeus, apenas foram se distanciando cada vez mais, as comunicações entre os dois foram diminuindo até que ele não recebeu mas nenhuma resposta. Soube por intermédio de alguns amigos na Terra que ela estava bem. Não quis saber os detalhes mas no fundo ele ainda esperava vê-la um dia e lhe mostrar as estrelas que ele queria tanto dar a ela. Desde então Hendrik não tivera mais nenhum envolvimento sério. Não se julgava um homem atraente. Tinha certo cuidado com a forma física e aparência, espirituoso, bem humorado era sempre uma boa companhia mas não se ouvia falar de envolvimentos de sua parte. Ele se perguntava se isto era por causa de Lee ou por sua opção de ser um oficial da Frota mas isto não era sua maior preocuparão no momento. Estava prestes a ir sua Nave para finalizar os preparativos para os testes. Ficaria no comando apenas algumas semanas, mais queria dar uma boa impressão e além do que gostava de estar naquela ponte. Sempre se sentia bem naquele local e era ali que ele sabia que podia fazer diferença. Pensava em que posto serviria após finalizar os testes daquela nave.
A Avenger Tinha 680 m comprimento, 87 de altura . 24 Decks e incorporava o que havia de mais moderno na frota. Sua tripulação normal era de 700 homens, porem ela não estaria completa até a data de comissionamento. As novas naceles Warp tinham um desenho novo, maiores, mais largas e quase que alinhadas a altura do disco principal o que lhe dava um desenho esguio que lhe agradava bastante .Seguiu pelo corredor umbilical que ligava a nave a estação até chegar ao convés principal. Gostava de andar pêlos corredores da nave, era bom para se familiarizar com ela e ele se sentia bem entre a tripulação - Sua tripulação - pensava - enquanto entrava no turbo elevador e ordenava que ele segui-se para a ponte. A primeira vez em que ele veio a bordo, estranhou um pouco os corredores mais estreitos dela em comparação com as naves anteriores e o tom das cores, bem mais sóbrias, afinal a Avenger era um cruzador de batalha. A ponte também o impressionou, menor do que a ponte de uma nave da classe Galaxy, e extremamente eficiente. Quem sentaria naquela cadeira depois das quatro semanas de testes que ele comandaria era uma pergunta que havia se tornado constante para ele nos últimos dias. No fundo gostaria de ficar ali para sempre. Quando foi informado pelo capitão da Venture da ordem do comando da frota para que ele assumi-se a nave durante os testes, ficou indeciso sobre qual seria o motivo de tal atitude, pensou em não aceitar, afinal ele não era nenhum principiante, embora fosse bastante jovem já havia passado por situações difíceis pois aqueles eram tempos difíceis. A federação ainda não havia se recuperado totalmente da guerra com os Borgs e o Dominion. Muitos morreram e a preservação da vida de repente voltou a ser um exercício diário como era na antes da paz com os Klingons. Sim, a guerra amadurece o homem ele pensava, e divagava sobre como se sentia mais velho do que seus 32 anos. Seu comandante insistiu que ele viesse - Vá lá e mostre o que você pode fazer rapaz , não vai se arrepender e depois, seu lugar aqui está guardado se quiser voltar - . A Venture tinha sido seu lar por muito tempo, mas ele achava que era hora de procurar outro lugar para ir - concluiu enquanto a porta do turbo abria e deixava que ele visse a ponte de comando. Se dirigiu a sua cadeira.
- Comandante na ponte . - Informou o jovem alferes que quase vigiava a porta do elevador .
- A vontade todos . Voltem ao seu trabalho - Disse em seguida Hendrik que não era muito afeito a formalidades , que logo prosseguiu :
- Bom dia senhores. A Enterprise está quase chegando. É hora da ultima checagem de sistemas , então vamos andar com isto.
Havia varias pessoas no local fazendo os últimos ajustes. Muitos técnicos e oficiais de apoio Mas havia sido decidido que seriam seis os oficiais escolhidos para formar o time dos oficiais executivos : Tenente Comandante Alejandro Iglesias , que seria o piloto da nave. Tinha aproximadamente 1,70 loiro e olhos azuis , nascido na terra . Serviu com Hendrik na Venture e eram bons amigos. Já havia repassado sua nova estação varias vezes , e Hendrik o conhecia bem. Sabia que o piloto tinha grande habilidade em sua função. Gostava do que fazia e se entregava a isto como quem se entregava aos braços da amante e ele gostava de telas. Também gostava de uma boa farra e era sempre uma companhia agradável para uma noitada. A tenente Cashmir , oficial tático e, era uma mulher linda. Pele morena, cabelos escuros silhueta esguia, corpo perfeito olhos profundamente negros. Era também bastante agressiva com os homens em geral e não gostava muito de conversas. O Tenente comandante Noan Seymor era Rigeliano , mas foi criado em Alpha Centauri e diziam que ele tinha um passado nebuloso na frota. Hendrik havia visto sua folha de serviço, mas ela não dizia nada demais e era este o problema. Noan era um oficial de comunicações que quase não existia antes de um ano atras. Sabe-se apenas que serviu anos na USS Okinawa, chegou a ser o segundo em comando, mas de repente foi transferido para uma outra nave no posto onde estava até hoje. Fluente em diversas línguas, o que era conveniente a um oficial de comunicações, mas não necessário uma vez que o computador da nave se encarregava de fazer a tradução simultânea de todas as freqüências conhecidas na Federação. Sua maior preocupação naquele posto deveria ser monitorar os instrumentos. Hendrik havia decidido conversar com Seymor assim que fosse oportuno. Era comum ouvir comentários não oficiais sobre um grupo de oficiais da frota que fazia parte de uma Elite de inteligência da Federação e o tudo o que sabia sobre Seymor embora fosse pouco se encaixava neste perfil. Hendrik jamais gostou de nada que fizesse a menção a "inteligência" . Nunca gostou da idéia de se achar uma peça em jogo, mas sabia que em uma organização como a Federação alguém devia fazer o trabalho sujo. Desde que não fosse ele a faze-lo preferia não pensar muito sobre este assunto. De qualquer maneira tinha uma idéia de como poderia observa-lo melhor, embora fosse um pouco arriscada. O oficial de Ciências era Sevok, um vulcano. Hendrik havia chegado a se perguntar se haveria algum acordo da Frota Estelar para colocar vulcanos nos postos de Ciência, pois com raras exceções quase não se achava uma nave da frota não que tivesse um Vulcano como oficial cientista. Ele sabia que isto tinha um motivo uma vez que os Vulcanos por sua própria natureza tinham na busca do conhecimento uma das bases da sua filosofia de vida, o que fazia deles oficiais ideais para o posto, mas ficava imaginando o que eles poderiam fazer em outro postos. Quanto a este, era um Vulcano típico o que significava que você podia confiar sua vida a ele mas nunca esperar que ele risse de uma piada. Não gostou muito de ter um Vulcano a bordo, pois a idéia de que alguém pudesse ler sua mente sempre lhe incomodava, embora soubesse que a disciplina deles impedisse que eles usassem este poder de forma leviana e que isto só fosse possível ao toque, se sentiria melhor sem ele por perto e mesmo Sevok não via muita lógica em estar ali , pois não achava necessário um oficial de ciências numa viagem de testes de uma nave, mas a frota queria uma avaliação além da fornecida pelo computadores da nave, que também estavam em período de testes, e isto ele podia aceitar como razoável. O Chefe da engenharia seria o Tenente Jean Paul, um oficial pouco afeito as tradições militares da Frota e por vezes aparentemente disperso, mas extremamente sério quando o assunto eram os motores dos quais cuidava como se fossem filhos, filhos que ele havia deixado na terra com sua esposa Anne Marrie. Hendrik viu sua folha de serviço e concluiu na ocasião que aquele oficial de trinta e poucos anos poderia estar em qualquer nave da frota se assim quisesse. Sua ficha mostrava que
ele era extremamente hábil em sua função, mas nunca aceitou uma promoção por que isto significava longos períodos sem ver Anne , Julian e Clarice ou então leva-los com ele pelo espaço e ele não queria expor seus entes ao perigo. Faltava ainda chegar o oficial médico da nave, que estava a caminho da estação e deveria juntar-se a eles em breve. Hendrik iniciou o check final, que na verdade era apenas uma formalidade, pois todos os sistemas foram revisados a exaustão nas quatro semanas em a Avenger esteve na doca espacial.
- E então Sr Iglesias ? Familiarizado com os controles ?
- Claro comandante - Respondeu num tom meio jocoso - Todos os sistemas de navegação estão funcionando em perfeita ordem.
- Cashmir, informe condição de armamento e defesas .
- Phasers e Torpedos disponíveis. Escudos com eficiência de 98 % e modulação em ordem .
- Comunicações ?
- Todos os sistemas estão checados e em condição verde.
- E então Sevok ? O que achou da Estação de Ciências ?
- Plenamente satisfatórias, Comandante.- E devo acrescentar que o novo computador Bio-Neural é fascinante. Os sistemas de backup também estão em ordem.
- Ponte para a Engenharia. - disse Hendrik tocando o console de sua cadeira.
- Engenharia – Jean Paul falando .
- Relatório da Situação ai embaixo .
- 99% de eficiência . Todos os indicadores verdes, sistemas de impulso e warp disponíveis.
- O senhor que faz seus próprios gráficos de eficiência, engenheiro ?
- Digamos que tenho talento para números .
- Entendo.
- Comandante ! - Era a voz de Noan chamando .
- Prossiga.
- Controle da Base Estelar informa chegada da Enterprise em 25 minutos .
- Certo. Senhores, creio que nossa pequena checagem está encerrada, reunião em cinco minutos. - E isto inclui você Jean Paul
- Sim Senhor, estou a caminho .
O pessoal selecionado para o time de comando se dirigiu para a sala de reunião enquanto ele repassava as ordens da frota e os substitutos tomavam seu lugar. Levantou-se, olhou tudo uma vez mais com calma e seguiu ao encontro dos outros. Quando chegou a sala de reunião notou a atmosfera de impaciência no ambiente.
- Senhores, - começou logo após sentar-se na cabeceira da mesa - não há muito a se comentar. Apenas quero repassar os últimos detalhes deste nosso pequeno passeio. Como todos já sabemos, nossa tarefa é levar esta nave para os testes finais de aceitação, todos tem seus cronogramas específicos de tarefas bem como o plano de testes gerais, entretanto o capitão Picard tem autonomia para altera-los e acredito que ele o fará, portanto estejam preparados para possíveis mudanças de ultima hora. A Enterprise estará nos monitorando constantemente e os dados colhidos por ela serão comparados com o do nosso computador, o Sr Sevok também estará fazendo observações a este respeito, por isto informem a ele qualquer ocorrência fora do normal no que se refere ao funcionamento da nave. Alguém tem alguma duvida ?
- Acredito que o pessoal da Enterprise não esteja muito satisfeito em nos acompanhar , não é ?- Iglesias imaginava, e com razão que a tripulação da nave mais importante da frota não estaria muito empolgada com a tarefa de servir de escolta em uma viagem de testes.
- Isto é problema deles, não nosso. Eles tem ordens a cumprir e nós também.
- Senhor ,,, - disse Cashmir - Quanto ao capitão Picard, como devemos nos comportar ? - Disse a jovem oficial num tom que mistura incerteza e nervosismo .
- Acredito que não tenhamos muito contato com ele pessoalmente, mas caso isto venha a acontecer, ajam de acordo com o que são: Como oficiais da frota, nem mais nem menos. Façam tudo como sempre fizeram e devo dizer que vem fazendo muito bem até aqui. Se seremos recriminados em algo que seja pelo realmente somos . Algo Mais ?
- Nosso curso ? Sabe para onde vamos ? m- Perguntou Jean Paul.
- Não fui informado a este respeito, mas acredito que seja bem longe. Grande parte dos testes da Avenger foi já feita no caminho de Utopia até aqui e agora vamos apenas verificar os ajustes e alterações que você vez nos motores Warp. Nossa tarefa é força-los , por isso acho que vamos andar um bocado por ai. Por acaso deixou a luz acesa em casa ? - Perguntou no tom descontraído ao qual todos já se acostumavam .
- Não, mas em velocidade de dobra podemos ir bem longe neste tempo.
- Hendrik sabia que Jean Paul raramente saia da Base Estelar ou dos estaleiros de Utopia e nunca por tanto tempo ou tão longe numa viagem deste tipo e que sentia um certo desconforto dele em relação a esta idéia .
- Não se preocupe, quando você perceber já estaremos de volta e teremos bastante o que fazer para pensar no tempo . E quanto a você Noan ,,,,
- Sim ! - Noa se espantou , pois não esperava receber nenhuma recomendação
especial .
- É o nosso oficial mais experiente, portanto embora esta missão não deva nos causar problemas, caso eles venham a acontecer você passa a ser o segundo em comando a partir de agora .
Noan se espantou ainda mais e surpreso com a incumbência inesperada disse:
- Comandante, agradeço mais sou apenas um oficial de comunicações a não acredito ser a melhor opção para esta função .
- Já serviu em uma nave estelar antes ?
- Sim !
- Já participou de missões de terra ?
- Ehhh ,,, ! Sim , Sim Senhor !
- Então você é a melhor escolha na minha opinião e a não ser que tenha alguma objeção de cunho pessoal , ela está mantida r. Algo mais ?
- Não Senhor .
- Mais alguém tem algo a dizer ?
Iglesias levantou a voz e disse : - Hendrik , quero dizer comandante, vi que as armas e sistema de defesa também serão testados . Entraremos em combate ?
- Sim ! Combate simulado, mas não tenho os detalhes .
- Sei ! Então não sabemos o que esperar ?
- Como em uma batalha de verdade Sr. Iglesias, só conheceremos o primeiro movimento depois que ele for feito. Mais alguma pergunta ?
Após a negativa de todos , ele disse :
- Nosso oficial médico estará chegando em 4:00hs , na Trieste . Senhor Noan, receba-o para mim, e faça com que chegue a área médica .
- Sim senhor - Disse Noan, ainda sem saber o que fazer ,,,
- Se não temos mais nada, acho que podemos ir .
Neste momento soa o Intercom
- Ponte para Comandante Hendrik .
- Hendrik falando .
- A Enterprise Chegou e está manobrando para entrar na Estação .
- Certo, estou a caminho da ponte . - Senhores, estão dispensados, e façam um bom trabalho.
Todos a seguir se levantaram e foram para a ponte num gesto quase automático, todos queriam ver a Enterprise. Ao chegar na ponte, Hendrik sentou na cadeira de comando ordenando:
- Visual . Ponham o portão espacial na tela .
Enquanto observavam a entrada na nave um sentimento diferente invadiu a ponte.
- Ela é realmente linda ! - soltou Iglesias, numa exclamação de admiração .
- Senhor Iglesias - disse Sevok já em sua estação - Caso o senhor não tenha notado a nave que acaba de entrar é idêntica a esta em todas as linhas formas e
funções. Não entendo o motivo de sua admiração diferenciada .
- Sevok - Disse Hendrik - não é a nave, é a lenda. As estórias que ouvimos da Enterprise de Kirk e Garret, e nossos filhos ouvirão da Enterprise de Picard. Isto é o que estamos vendo, a Historia diante de nossos olhos. Quem sabe façamos algo para merecer fazermos parte dela também . De repente a voz de Noa trouxe todos de volta a realidade assim que a Enterprise terminou a manobra de atracagem .
- Comandante, a Enterprise chamando . O Capitão Picard deseja falar com o
Senhor.
- Imaginei que sim . Na tela .
A tela subitamente mudou a imagem para a ponte da Enterprise onde apareceu o Capitão Picard na sua cadeira de comando. Tentando demonstrar serenidade,
Hendrik lhe deu as boas –vindas.
- Bem vindo Capitão, espero que tenha feito boa viagem até a Base Estelar .
- Obrigado comandante. Diria que foi uma viagem tranquila. Quais as condi
ções da Avenger ?
- Totalmente operacional e pronta para os testes. Acabamos de fazer a ultima checagem dos sistemas e está tudo em ordem.
- Temos alguns ajustes a fazer e aproveitaremos nossa estada aqui para isso, mas creio que serão bem rápidos . Pretendo partir em 12:00hs.
- Sem problemas Capitão, estaremos prontos na hora estipulada.
- Ótimo senhor Hendrik. Faremos uma reunião daqui a 6:00hs para acertar os detalhes finais. Uma ultima coisa . Estamos enviando o código de autorização para que possa efetivamente assumir o controle da nave. A partir de agora, ela sob sua responsabilidade Comandante. Cuide bem dela .
- Cuidaremos Senhor. Obrigado !
- Enterprise desliga.
A tela se fechou e todos se voltaram para Hendrik. Aquela era a hora que ele estava esperando. Agora ele poderia realmente dizer que aquela nave era sua.
- Computador - Chamou, após tocar o console, tentado disfarçar o nervosismo. A voz suave do computador respondeu prontamente
- Sim !
- Analise vocal. Pode me identificar ?
- Comandante Hendrik. Designado para assumir o comando da USS Avenger NCC 72915 a partir desta data.
- Pois estou assumindo o comando. Registre .
- Registrado.
A seguir tocou o console da cadeira de comando e tentando acalmar a voz disse.
- Diário de Bordo, primeira entrada. Estas são as viagens da USS Avenger. Que através delas possamos aprender mais e que seus caminhos sejam sempre seguros. Fim do registro.
Então Hendrik levantou-se , e som poder esconder o sorriso no rosto , disse :
- Vocês tem dez horas de folga. Façam o que quiserem neste tempo desde que se apresentem no horário. Dispensados.

 

Última Modificação: 17 Novembro2002