Star
Trek Fronteiras
Sem Defesa |
-
Foi dura, talvez a mais
sangrenta batalha da qual
participei. Não havia
muito que fazer, em cerca
de 20 minutos de confronto
a vantagem deles ficou
clarividente, cerca de
15 ou 20 naves para cada
uma das nossas. Apesar
de termos superioridade
tecnológica sobre a frota
cardassiana, essa era
a única vantagem que tínhamos,
mais nada – disse Maciej
como o olhar fixo na parede
iluminada.
E
continuou: - Em menos
de 45 minutos o confronto
havia se transformado
numa fuga de nosso contingente,
apenas umas poucas naves
venceram o bloqueio da
armada. A minha foi pouco
além das linhas inimigas,
mas já suportava danos
demais...Danos demais
- falou vago em imagens
que não estavam ali, mas
que preenchiam seus olhos,
e após um breve interstício
prosseguiu; - Céus, suporte
de vida, escudos, energia
auxiliar, comunicações,
quase nada funcionava,
tive que atravessar os
deques da nave, eu e meu
primeiro oficial corremos
para avisar a tripulação
para evacuar a nave, mas
tivemos que a abandonar
também, não podíamos fazer
mais nada, os casulos
de fuga foram alvejados
na medida em que saiam
da nave, poucos deles
escaparam, talvez uma
dúzia, no máximo.
Nesse
ponto virou-se inquieto,
fitando o teto como se
lá procurasse fugir das
memórias que estavam na
outra parede. Tabek, apesar
da ausência de expressão
em sua face, falou:
-
A batalha para impedir
a detonação do campo minado
na anomalia bajorana foi
mesmo desigual. Nada mais
poderia ter sido feito,
não seria sensato permanecer
durante mais tempo na
nave, nem questionável
a atitude de se salvar
junto com os outros oficiais,
as condições eram, de
fato, críticas.
E
então o Capitão Maciej:
-
Gosto de pensar assim
também, mas não tenho
todo o suporte da lógica
vulcana – sorriu desconfortável,
quando as portas do turbo
elevador abriram-se na
ponte de comando.
Ali,
só se viam técnicos e
mais técnicos abarrotados
de instrumentos e tricorders,
circulando entre os terminais
de computadores, cada
qual checando as leituras
que obtinham com expressões
sisudas. Enquanto isso,
outros dois, instalavam
os visores táticos logo
ao lado do visor principal,
poucos metros a frente
dos controles de leme.
Os dois, Maciej e Tabek,
permaneceram mudos observando
o movimento, até que um
dos alferes percebeu a
presença dos oficiais
e anuncio-os, quase em
tom de desespero:
-
Oficiais graduados na
ponte de comando.
Nisso,
todos interromperam desajeitadamente
seus afazeres e prestaram
continência, da qual foram
imediatamente liberados.
Pouco seria requerido
dos oficiais de comando
naquele momento, pois
o dia fora designado para
calibragem de sensores
de longo alcance, instalados
\n';
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}
}
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há pouco e dos sistemas
de mira de armas, cuja
urgência era ainda maior,
em virtude de estarem
próximas as simulações
inaugurais de combate.
Na verdade toda a nave,
em todos os locais, parecia
estar tomada por engenheiros
que corriam contra o tempo
para ajustar pequenos
detalhes de última hora.
Era
somente a terceira ou
quarta vez que Maciej
pisava na ponte de comando,
mas continuava estarrecido
pela beleza e sofisticação
das instalações. Nunca
comandara uma nave desse
porte, tão bem armada
ou mesmo tão grande. No
íntimo estava satisfeito,
não via a hora de zarpar
para o início da bateria
de testes. Em tempos de
guerra ele se tornara
um capitão respeitado,
dono de uma intuição e
agilidade ímpares no comando
de uma espaçonave, mas
não enxergava mérito algum
na necessidade de destruir
seus opositores. Depois
de quatro anos capitaneando
a USS Fúria, pediu transferência
para o setor de pesquisa
e desenvolvimento, no
que foi atendido prontamente.
Nas dependências da Base
Estelar 345 conheceu Tabek,
um vulcano pesquisador
de sistemas defensivos
para espaçonaves, tido
como um dos mais respeitados
cientistas de sua área,
propulsão e sistemas de
energia.
Nesse
meio tempo, do lado de
fora a situação não era
diferente do interior,
varreduras de sensores
e checagens eram feitas
da parte exterior da nave,
geralmente empregando
pequenos veículos, chamados
no jargão técnico de abelhas-operárias.
Muitas delas entravam
e saíam dos hangares da
Base Espacial 345, onde
a USS Harpia estava atracada.
Os
trabalhos estendiam-se
agora por quase dois meses
e pouco restava a ser
feito. Apesar de pertencer
a uma das classes de naves
mais comuns na Federação
de Planetas Unidos, e
externamente não guardar
diferenças tão mais significativas
de suas naves-irmãs que
uma coloração mais escurecida,
puxando para chumbo, interiormente
era muito pouco semelhante
àquelas naves. De fato,
havia sido conduzida ao
Setor Sigma Lotia por
um cargueiro, pois sequer
possuía sistemas de propulsão
de dobra. Somente o tempo
de translado foi de cerca
de três meses e meio,
tendo em vista que a base
estelar estava localizada
num setor remoto da Federação,
a mais de 1.300 anos-luz
da Terra, perto dos limites
extremos de seu território,
longe das fronteiras dos
principais inimigos e
aliados políticos. Bem
se sabe que em matéria
de segredos militares,
todos são inimigos nos
tempos atuais.
A
própria Base Estelar 345
era um monumento ao esforço
coletivo da Federação.
Não detinha diferenças
de projeto para outras
bases do mesmo tipo, nem
avanços tecnológico significativos,
mas a distância dos recursos
materiais e pessoais dos
centros mais movimentados,
tornava-a ainda mais colossal.
Um marco na história da
engenharia espacial, e
um novo ponto de referência
para as operações exploratórias
da Frota Estelar. Ali
seriam conjugados os centros
de abastecimento para
colônias, estações de
comunicação, espaçonaves
de pesquisa e um porto
seguro para naves civis
e cargueiros num raio
de dezenas de anos-luz.
Ali
poucas naves passavam,
da Federação ou de outras
potências espaciais. Apenas
algumas expedições científicas,
geralmente cartográficas,
paravam na Base Estelar
para reabastecimento,
sem grandes períodos de
permanência no setor.
A escolha recaíra sobre
Tabek, que prontamente
apontou a alternativa
que lhe pareceu mais segura.
Pelas redondezas, nas
últimas cinco ou seis
semanas apenas a USS Frontier,
nave exploratória da classe
Galáxia e a USS Rio de
Janeiro, nave hospital
e de suprimentos da classe
Olimpic, estiveram pelas
redondezas. Era, por conseguinte,
o local ideal para se
testar uma nave experimental.
Nos
próximos dias chegaria
uma outra nave, a USS
Galaxy, esta com o objetivo
de trazer o resto da tripulação
da USS Harpia para início
dos testes dali a alguns
dias, nos idos do final
do mês de dezembro de
2378.
Algum
tempo se passara sem que
conflitos emergissem.
A Federação, porém, engajou-se
numa aguerrida corrida
armamentista, sediando,
naquela região do espaço
onde batalhas espaciais
eram mais conhecidas pelos
serviços de informações
civis, que por eventos
reais, o primeiro de seus
esforços.
Voltando
a nave espacial, dela
pode-se dizer que é um
projeto ambicioso, assim
como foram outros projetos
recentes da Frota Estelar,
mais especificamente as
classes Intrepid, Sovereign
e Defiant. Muito embora
a classe Akira seja desenhada
primordialmente para funções
de combate e patrulha,
as recentes batalhas,
seja contra os Borgs,
seja contra o Dominion,
puseram em xeque o poder
ofensivo dessas espaçonaves.
A intenção do protótipo
seria aumentar consideravelmente
o poder de fogo através
da adição de várias das
tecnologias bélicas de
ponta em uma mesma nave,
tornando mais letal e
ao mesmo tempo mais resistente
aos armamentos inimigos
conhecidos, com preocupações
mais óbvias no tocante
aos Borg.
As
naves da classe Akira
têm como pontos fracos
os escudos de média capacidade,
bancos phasers em pequeno
número e a blindagem,
relativamente leve. Na
USS Harpia, os três bancos
de Phasers Tipo X foram
mantidos, todos à frente.
Foram adicionados outros
três bancos de Phasers
tipo XII, dois a frente
e um a ré, no compartimento
de armas. Onde havia os
sete tubos de torpedos
fotônicos de lançamento
rápido agora existem 5
do tipo VI e logo acima,
num deque extra, fica
posicionada uma torre
de lançadores de torpedos
quânticos semelhantes
aquele visto nas naves
Sovereign, só que com
cobertura num ângulo de
360°, outros dois lançadores
fotônicos estão direcionados
para trás. Os lançadores
laterais, continuam
como na nave original,
dois para estibordo e
dois a bombordo. Outros
dois, frontais próximos
ao defletor principal,
na porção ventral, que
ainda não foram totalmente
integrados aos sistemas
da nave, emitem torpedo
transfásicos experimentais.
Finalmente, em cada uma
das extremidades laterais
da seção disco foi instalado
um canhão isocinético,
semelhantes aos instalados
na USS Voyager. Estes
últimos não faziam parte
do complemento bélico
original da nave, mas
foram incluídos para avaliar
sua real utilidade em
combate.
Ainda
que o armamento da Harpia
seja tão vasto, o orgulho
dos projetistas está nos
sistemas defensivos, especialmente
nos escudos automoduláveis
de alta capacidade que
são, nada mais, nada menos
que 147% mais potentes
que os anteriores. Foram
adicionados 18.0 cm de
blindagem ablativa e um
campo de integridade estrutural
de alta potência. Com
esses complementos a USS
Harpia será capaz de fazer
frente a naves da classe
galáxia em combate, não
sabe ao certo, mas apostando
em uma larga vantagem
em matéria defensiva e
ofensiva para a primeira,
de acordo com testes preliminares.
A
idéia básica não era construir
uma máquina de guerra
do zero, mas sim aproveitar
o desenho existente e
aprimora-lo ao máximo,
minimizando o tempo total
entre a fase de projetos
e simulações e o primeiro
teste. Alterando e adaptando
o desenho da Harpia, os
projetistas esperavam
tirar o maior poder de
fogo possível das Akiras
e, imediatamente, disponibilizar
as alterações de modo
que pudessem ser realizadas
em qualquer neve dessa
classe, caso a urgência
surgir, como nos tempos
não muito distantes.
Como
todos os capitães da Frota
sabem, num encontro com
espécies hostis, nem sempre
a Federação leva vantagem.
Pior, contra algumas delas,
como os Borg o Dominiun
não sequer vantagem além
de sorte. Nesses casos
tem-se confiado mais nas
habilidades das tripulações
que no poderio de defesa
dos projetos atualmente
em atividade. A USS Prometheus
provou ser extremamente
eficiente, mas igualmente
dispendiosa. O Almirantado
da Frota, temendo uma
necessidade futura, deliberou
há dois anos atrás medidas
para reavaliar a filosofia
de alguns dos projetos
que se mostraram mais
frágeis em situações combate,
como a Akira e Steamrunner.
Essa
é a esperança depositada
nas mãos do Capitão Maciej
Behram, veterano de combates
em espaciais e do Primeiro
Oficial Tabek, projetista
de vários sistemas da
nave, que agora faziam
a inspeção no primeiro
protótipo. Após uma breve
estada na ponte de comando
os dois decidiram descer
a sessão de engenharia
para observar a ativação
do reator principal, ao
mesmo tempo em que o cordão
umbilical, que transfere
a energia da estação para
a nave, será removido,
passando ela a funcionar
por meios próprios.
Chegando
lá, o frenesi era maior
daquele da ponte, mas
mais justificável. Enquanto
isso, aos brados, o Engenheiro
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Chefe, o Tenente Damak
Zor, um benzite de uma
expressão de preocupada,
instruía seus subordinados:
-
Quero uma revisão de todos
os sistemas agora, verifiquem
os campos de contenção
de antimatéria, os injetores
de plasma e os sistemas
de ejeção no núcleo do
reator!
Com
a chegada do capitão,
vários dos técnicos pararam
seus afazeres para a devida
continência, enquanto
Damak repetia suas instruções
aos gritos: - Andem, vamos,
andem, isso não eficiente,
não é mesmo...andem...ah,
capitão? – disse num susto
mal disfarçado – O senhor
por aqui?
-
Sim, a vontade tenente.
Já estamos prontos para
desatracar?
Ao
que respondeu: - Bem,
sim, não será com eficiência
total, os motores de impulso
não estão operando com
capacidade máxima, os
manobradores de proa estão
com a dispersão de gases
5% acima dos padrões exigidos
pela Frota....
–
Tenente! – Interrompeu
– Eu apenas quero saber
se podemos nos afastar
a uma distância segura
para iniciar o reator
de dobra, os outros ajustes
podem ser feitos até amanhã!
-
Ah, desculpe senhor eu,
é...bem sim, sim podemos.
-
Ótimo...Capitão para leme...Capitão
para o leme.
-
Leme aqui senhor – respondeu
um dos alferes.
-
Começar procedimentos
de desatracação, estou
a caminho da ponte.
A
Harpia deixando a Base
Estelar 345, nos limites
do espaço da Federação.
Vários
meses depois de ter chegado
a Base Estelar 345, pela
primeira vez a USS Harpia
deixa os hangares por
meios próprios. Para executar
a ativação definitiva
dos reatores experimentais
de matéria/antimatéria
era procedimento necessário
afastar a nave algumas
centenas de milhares de
quilômetros da Estação
como medida de segurança.
Poucos minutos depois,
já na ponte de comando
o Capitão deu a ordem:
-
Iniciar reatores de antimatéria,
anote-se no diário da
nave: Data Estelar 56954.1,
iniciados os reatores
de dobra da USS Harpia,
designação NX 78.455,
com manifesto da tripulação
integrado aos computadores
da nave, inventário de
armas e memorial descritivo
dos sistemas embarcados.
Da
engenharia chegaram os
primeiros relatórios,
por intermédio do engenheiro
chefe, avisando que a
capacidade de dobra estaria
disponível em 6 horas,
mas que para máxima eficiência
dos motores outras 12
horas seriam necessárias.
Esse fora o primeiro reator
da Classe Surak a ser
ativado na Frota Estelar.
Após
duas horas navegando a
meio impulso, a Harpia
retornou aos hangares
para últimos preparativos
antes do teste das naceles
e velocidade de dobra
que seriam realizados
no final do dia seguinte.
Quando finalizavam os
procedimentos de atracação
Tabek informou:
-
Senhor, o comando da Frota
Estelar relata que os
demais oficiais graduados
estarão chegando em 22
horas, juntamente com
o resto da tripulação,
a bordo da USS Galaxy.
-
Obrigado Nº 1. Capitão
para todos os deques:
todo pessoal não necessário
para os ajustes técnicos
e manutenção estão dispensados
até amanhã 0800 horas,
com exceção do turno noturno.
Behram desliga.
Na
manhã seguinte todos os
oficiais e tripulantes
alistados e recrutados
apresentaram-se ao Capitão.
Todos eles, a exceção
do Primeiro Oficial, eram-lhe
estranhos, em parte por
que eram quase todos oriundos
de centros de pesquisa,
ou por serem recém graduados.
Muitos deles estavam entre
os melhores em suas áreas
e foram voluntários para
a missão. Dezenas de currículos
foram analisados, sendo
que a palavra final na
parte técnica coube ao
Primeiro Oficial, que
também exerce o cargo
chefe de projeto; a parte
tática, de segurança e
comando coube ao Capitão
e ao Comando da Frota,
em ultima instância. Logo
após, a USS Galaxy prosseguiu
com sua missão prioritária:
mapear setores inexplorados
próximos ao espaço Tholiano.
A
Chefe de Segurança e Oficial
Tática, Jada Damaris,
uma ktariana nascida na
Terra, foi a primeira
a se apresentar a ponte
na manhã do primeiro teste
dos propulsores de dobra,
queria familiarizar-se
com a nave e seus oficiais
subordinados, e ainda
definir os setores com
maiores exigências de
segurança. Nunca tivera
tantos oficiais ao seu
comando, pois em seu posto
anterior, a bordo da USS
Avenger, classe Defiant,
o contingente de segurança
era reduzido. Na Harpia
ela comandaria cerca de
60 oficiais de segurança,
pouco menos de um quinto
do total da tripulação.
Conhecida por sua excelente
ficha de serviços e sua
beleza, Jada tinha os
traços felinos característicos
de sua espécie, com protuberâncias
discretas em sua testa
e olhos marrons, era uma
visão e tanto para seus
subordinados e superiores.
Da
enfermaria a Dr. Iliina
Safit, de origem deltana,
calva e de um certo modo
etérea, tinha uma expressão
altiva e distante que
não combinavam com o que
se pode imaginar dos deltanos,
um povo detentor de uma
libido extraordinária.
Foi uma das primeiras
selecionadas para a missão.
É amiga pessoal do Capitão
Maciej Behram, com quem
se formou na Academia
da Frota.
Logo que embarcou
comunicou ao Primeiro
Oficial, poucas horas
após ter chegado, que
todos os equipamentos
estavam prontos para uso
e a tripulação médica
designada para a missão
já havia transferido-se
definitivamente para seus
aposentos embarcados.
A
bordo de uma nave auxiliar
Anthony Lear, o pesquisador
chefe do Laboratório Geral
de Grande Capacidade,
admirava a Harpia fixamente,
pois era uma visão diferente
das demais naves da Federação
que pudera observar, escura
e encorpada, repousava
impávida no hangar, mirando
o espaço aberto. Ele refletia
sobre como seria a nave
por dentro e como ele,
que calhara de receber
o posto de chefe de ciências
por acidente, visto que
era tripulante da USS
Galaxy, sendo designado
para esta missão na falta
de seu titular se sairia
no novo ambiente de trabalho.
Ao seu lado, descansava
o Sr. Antúria, um homem
de meia idade que comandava
as operações de hangar
da nave experimental.
Com uma experiência de
34 anos a serviço da Frota,
nunca se interessou por
postos de comando, permanecendo
como tenente junior quase
toda a sua carreira. Os
cabelos brancos e o rosto
arredondado davam-lhe
uma aparência serena,
enquanto os grandes olhos
azuis demonstravam grande
vivacidade. Dois minutos
depois os dois pisavam
na nave, Lear pela primeira
vez, Antúria pela primeira
vez nas últimas duas horas.
Durante
as horas que antecederam
a partida da USS Harpia,
chegaram relatórios comunicando
o status de cada setor,
todos transcorrendo dentro
da normalidade e sem surpresas.
Finalmente,
uma hora antes da partida,
apenas os suprimentos
continuavam
serem carregados,
intrigando o Primeiro
Oficial, que adentrou
a sala de espera do Capitão
dizendo:
-
Capitão, posso falar-lhe?
-
Claro.
-
Não pude deixar de reparar
na quantidade de suprimentos
embarcados. Parecem um
tanto quanto superdimensionados,
o Senhor não acha?
-
Acho sim. São ordens do
Comando da Frota.
\n';
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}
}
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-
Alguma explicação para
tal procedimento?
-
Sim, a Frota quer que
reportemos o resultado
dos testes assim que terminarmos,
se forem bem sucedidos
talvez eles prorroguem-nos
a missão. Não querem que
a Harpia fique atracando
de porto em porto.
-
É um receio bem fundado.
No entanto, a tripulação
ficou inquieta.
-
Imaginava. Como a informação
não é sigilosa, repasse-a
aos chefes de seção, peça-lhes
para apaziguar os ânimos
dos tripulantes.
-
Imediatamente.
Mesmo
sendo verdade os fatos
narrados, o próprio Maciej
estava perturbado com
a possibilidade da Frota
ter outros planos para
a USS Harpia. Pensava
que, muito embora fosse
uma nave laboratório,
a Harpia tinha seus sistemas
testados e esmiuçados
dezenas de vezes em simulações
e, por isso, em tese estaria
pronta para qualquer missão
de patrulha ou de curta
duração. Perdido nessas
conjecturas, dirigiu-se
para a ponte.
Em
sua cadeira de comando,
analisava despreocupadamente
os sistemas de armas da
nave, repassava o inventário
de armamentos e de carga,
fascinado com a quantidade
de recursos alocados na
Harpia. Sabia que com
aquelas quantidades sua
missão seria longa, quem
sabe logo após o primeiro
teste fosse ordenado a
patrulhar algum setor
próximo, ou prestar escolta
para outras naves que
estivessem transportando
colonos, suprimentos ou
tecnologia. Levantou os
olhos e analisou detidamente
os monitores táticos a
sua frente, o controle
do leme e a estação de
operações. Caminhou até
um dos consoles, onde
pode enxergar seu próprio
reflexo no painel escuro.
Ficou parado, encarando
demoradamente a instrumentação
e voltou ao seu assentou.
Mal sentou e recebeu o
chamado da Base Estelar:
-
Capitão – chamou o Comandante
I’ssimad, chefe de operações
táticas da Federação para
o setor – o Sr. Está sendo
convocado a comparecer
imediatamente aqui no
Centro de Comando, mensagem
da frota, em canal de
segurança. Ah, o Almirante
Paris também está na instalação
e quer ter uma palavrinha
com você.
-
Certo,
estou a caminho, Behram
desliga.
Sendo
um veterano em comando
de naves estelares, era
de se esperar que Behram
tivesse bom trânsito com
diversos oficiais do alto
escalão do Comando da
Frota, o que não era o
caso, absolutamente. Na
verdade conhecera uns
poucos almirantes, a maioria
deles em eventos sociais
da Frota onde sua presença
fora requerida. Durante
os últimos anos os contatos
sociais foram escassos,
pois as missões de combate
na guerra contra o Dominiun
eram, geralmente, em espaço
profundo.
-
Comandante – cumprimentou
o Capitão – qual a urgência?
-
As diretrizes de segurança
da nave[i]
já têm um texto definitivo
– falou esticando um PADD
– gostaria que o Sr. avaliasse.
Tomou
em mãos as anotações,
lendo-as rapidamente e
finalmente falando:
-
Ótimo, parece exatamente
igual à última versão.
-
E está, mudei a ordem
das diretrizes –comentou
o Comandante sorrindo
– o Almirante Paris foi
quem se responsabilizou
pela revisão, como ele
não tinha visto a anterior...
-
Boa, muito boa essa.
Permaneceram
conversando sobre os eventos
que tomavam lugar no setor,
a falta de movimentação
nos hangares e sobre Zakdorn,
planeta natal do Comandante,
até que o Almirante Paris
adentrasse a sala.
-
Capitão Behram, prazer
em conhecê-lo finalmente.
-
Igualmente, almirante.
-
Bem, vamos direto ao ponto:
o senhor recebeu as diretrizes
de segurança, os códigos
de comando, seus e de
seus oficiais sênior.
-
Sim, tudo isso.
-
Vim apenas para fazer
uns avisos importantes,
Capitão. Não quero que
o Sr., seus oficiais,
tripulação e especialmente
a nave metam-se em confusão.
Não que grupos avançados
investigando nada em missões
de teste e muito menos
naves auxiliares fora
de hangar quando não forem
necessárias.
-
Sim, senhor.
-
Não terminei. Andei lendo
sua ficha, Capitão, e
estou ciente de seus serviços
prestados à Frota, mas
também estou ciente de
que o Sr. costuma flexibilizar
muito as ordens que recebe.
Portanto, não quero ouvir
falar do Sr. em nenhum
relatório que não seja
o de avaliação dos sistemas
embarcados.
-
Perfeitamente, senhor.
-
Por último, estou autorizando,
conforme seu requerimento,
que se proceda a instalação
dos tubos torpedos experimentais,
tão logo comecem as missões
de treinamento.
-
Obrigado, Senhor.
-
Boa sorte, Capitão – disse
o almirante deixando a
sala, enquanto reclamava
a um dos seus acompanhantes
sobre alguma coisa que
tinha por fazer.
[Chefe de Hangar Stoikalos
Antúria, Diário de Bordo,
data estelar 55959.6:
Mais uma vez devo iniciar relatórios regulares sobre o dia-a-dia de minhas
atividades como chefe
de hangar. Essa deve
ser a milésima vez que
faço isso. Pois bem,
o hangar da Harpia é
um espaço oco que atravessa
a seção disco. Temos
14 naves auxiliares.
Todas confidenciais,
sem mais comentários.
Ah, os replicadores
da minha sala parecem
estar com defeito. Encerrar
entrada.]
Saindo
da Base 345 para o primeiro
teste de equipamentos.
Os
aplausos foram entusiasmados
quando a USS Harpia deixou
a Base Espacial e partiu
para uma missão de uma
semana de experimentos
de reatores, sistemas
defensivos e armas, nos
limites do território
da Federação.
A
tripulação esperava ansiosamente
pela ordem da ponte que
acionaria a velocidade
de dobra:
-
Alferes, a frente a meio
impulso – Ordenou Tabek.
<
\n';
document.write(barra);
}
}
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span style="font-family:Arial">-
Sim Senhor, meio impulso.
-
Traçar coordenadas, curso
332 marco 3.
-
Coordenadas traçadas.
-
Preparar para acionar
fator de dobra 3 ao meu
comando.
-
Sim, Capitão.
-
Acionar.
A
Harpia saltou para velocidade
de dobra sem contratempos,
da Base Estelar, o Comandante
I’ssimad congratulava
o sucesso no primeiro
teste. As primeiras horas
foram tranqüilas, e o
Primeiro Oficial implantou
a fase dois do teste dos
reatores:
-
Alferes, acionar fator
de dobra 6.
-
Implementado, Senhor.
-
Senhor Tabek, relatório?
-
Capitão, o campo de dobra
permanece estável e sem
efeitos residuais no subespaço,
os reatores estão funcionado
com eficiência máxima,
sem alterações ou incidentes
em outros setores da nave.
-
Ótimo. Atenção tripulantes
e oficiais: a partir de
agora estamos sob ordens
diretas do comando da
Frota Estelar. Espero
que todos já estejam cientes
das diretrizes de segurança
impostas a esta nave,
e devo lembrar-lhes que
todas as transmissões
recebidas ou originárias
dela serão monitoradas
com rigor máximo. Anseio
que esta missão seja tão
bem sucedida quanto aponta
seu início, meus sinceros
parabéns aos técnicos
que correram contra as
horas para possibilitar
este vôo inicial. Behram
desliga.
-
Número Um, você vem comigo,
Tenente Damaris, a ponte
é sua.
-
Sim, Senhor – respondeu
Jada surpresa.
Os
dois caminhavam rapidamente
para a Doca de Carga 1,
donde o Capitão chamou
o Engenheiro-Chefe:
-
Senhores – disse ele –
a primeira ordem que recebi
antes de partir foi a
de autorizar o Engenheiro
Chefe a instalar nossos
equipamentos experimentais.
Pois bem, como provavelmente
vocês sabem, e mesmo não
sendo nossa prioridade,
os canhões isocinéticos
seriam configurados somente
na próxima semana, vamos
adiantá-los.
-
Devo designar uma equipe
de engenharia?
-
Sim, mas calma, Tenente.
Temos outros assuntos
pendentes. Sr. Tabek?
-
É verdade, Senhor. Juntamente
com os equipamentos necessários
para instalar os canhões,
trouxemos um par de lançadores
de torpedos transfásicos,
que devem ser instalados
na torre de torpedos.
Essa é a nossa segunda
prioridade.
Perdido,
Damak interroga:
-
A primeira é a instalação
dos canhões?
-
Não – disse o vulcano
olhando para seu superior.
-
Então qual é?
-
Bem, nós trouxemos outro
brinquedinho a bordo –
disse Maciej interrompendo
brevemente o discurso
– um dispositivo de camuflagem.
-
Klingon?
-
Não, projetado pela própria
Federação – disse Tabek.
-
E por isso, senhores,
somente vocês dois poderão
manipular o equipamento.
Pedi para a tenente Damaris
reforçar a segurança na
engenharia. Começaremos
imediatamente. Sr. Zor,
lembre-se que toda e qualquer
informação a respeito
desse dispositivo que
lhe for transmitida pelo
Sr. Tabek é confidencial.
Após a instalação somente
os senhores e eu teremos
acesso aos terminais de
controle do dispositivo.
Dispensados.
Imediatamente
encaminharam-se, o Capitão
para a ponte e os outros
dois oficiais para a engenharia.
Durante o processo de
acoplamento do dispositivo
aos sistemas de energia
da nave Tabek explicou
detalhes do projeto para
Damak. Disse-lhe que o
dispositivo era baseado
em informações de inteligência
dos similares klingons
e romulanos, mas que possuía
alterações sensíveis,
em ordem de adaptar-se
às naves da Federação.
Já
na ponte o capitão Behram,
verificando o transcorrer
da missão, passou novas
ordens ao leme:
-
Alferes, fator de dobra
nove, acionar. Mantenha
o curso e velocidade por
mais cinco anos-luz, diretamente
a frente, quando atingir
as coordenas faça uma
parada total. Quanto tempo
até lá?
-
Sim, senhor. Mantendo
velocidade, mais treze
horas.
-
Behram para Tabek.
-
Tabek aqui, Senhor.
-
Comandante, após o término
de seus deveres encontre-me
na sala de conferências
juntamente com o Sr. Zor.
-
Entendido Capitão. Tabek
desliga.
-
Tenente Damaris, você
e Doutora também estão
convocadas, juntamente
com o chefe de hangar,
o Sr. Anturia e o oficial
sênior de ciências, o
Sr. Lear. Avise-os, por
favor, começaremos em
quatro horas.
-
Sim, senhor.
No
decorrer dessas quatro
horas, pouco foi feito
a mais da ponte de comando.
O Capitão deu ordem para
aumentar velocidade para
dobra 9.1 e mudar o curso,
em direção a um conjunto
de asteróides errantes
próximos ao meio do caminho
entre os setores Sigma
Lotia, de onde partiram
pouco antes, e Gamma Tauri,
na fronteira do espaço
da Federação.
[Diário do Primeiro Oficial, Data Estelar 55960.3:
Acabamos de realizar o aumento da velocidade de dobra, desta vez para o
fator 9.1. Os resultados
preliminares do desempenho
do reator são muito
satisfatórios. A equipe
de engenharia parece
partilhar da mesma opinião.
Como antecipei, a escolha
do Sr. Zor para comandar
aquela seção parece
ter sido adequada e,
ressalto, atípica. A
costumeira obsessão
dos benzites por eficiência
é um tanto mais branda
que o comum no Sr. Zor,
o que não lhe subtrai
uma constante necessidade
de aprovação e resultados.
A organização do pessoal alistado continua sendo falha, especialmente em
razão da escassez de
técnicos e do excesso
de funções a serem designadas,
logicamente teremos
um atraso no cumprimento
da escala de atividades
implementada inicialmente.
Em contrapartida, o
contingente de oficiais
de segurança é assoberbado,
temos 1 oficial de segurança
para cada 4.13 tripulantes.
Fim da entrada]
Na
sala de conferências,
fazia-se a primeira reunião
dos oficiais graduados
da nova tripulação da
nave, eles aproveitaram
o pequeno atraso do Capitão
e Primeiro Oficial para
conversarem e conhecerem
uns aos outros melhor.
Além dos dois que ainda
não estavam presentes,
\n';
document.write(barra);
}
}
changePage();
apenas o Chefe-de-Hangar,
o Sr. Antúria, era quem
possuía vários anos de
experiência na Frota Estelar,
tendo servido à bordo
de outra da nave da mesma
classe. O Engenheiro,
o Sr. Damak, estava ali
pelos serviços prestados
em instalações de pesquisa
de propulsão, como o estaleiro
Utopia Planitia na órbita
alta de Marte. A Chefe
de Segurança, Jada Damaris,
fora designada para a
Harpia em conseqüência
de sua formação, especializada
em segurança e combate
em instalações militares
e naves estelares. A oficial
médica, a Dra. Iliina,
por ser experimentada
em efeitos causados em
humanóides pela radiação
gama, as que podem ser
irradiadas por vazamentos
dos reatores de dobra,
enquanto o Sr. Lear, designado
às pressas pela eventualidade
do falecimento do seu
titular, era na verdade
oficial de ciências júnior
da USS Galaxy, a nave
que os trouxera à Estação
Espacial dias antes.
-
Senhores - adentrou o
Capitão – ótimo ter a
equipe reunida, vamos
começar colocando vocês
a par dos parâmetros de
operação da missão. Senhor
Tabek, por favor.
Levantando-se
o vulcano dirigiu-se a
um painel retangular de
vídeo muito amplo, postado
bem a frente da mesa de
conferências, onde foram
mostradas a posição atual
da nave e as imediações,
ao que comentou:
-
Saindo do setor onde estávamos
baseados, vamos nos dirigir
a esse conjunto de asteróides
aqui – apontou para um
ponto na tela que foi
ampliado, mostrando em
detalhes o pequeno campo
de asteróides – para procedermos
aos testes dos bancos
phasers, lançadores de
torpedos, canhões isocinéticos
e da torre de torpedos
quânticos.
-
Quanto aos sistemas defensivos
– falou o Capitão levantando-se
e postando-se ao lado
de Tabek – testaremos
os escudos automoduláveis
contra impacto de fragmentos
de asteróides, raios tratores
e mini-torpedos fotônicos
disparados a partir dos
exploradores. Além disso,
os dispersores de energia
da blindagem do casco
serão testados por disparos
de phasers – nesse momento
respirou um pouco, reunindo
ar para prosseguir – testaremos,
juntamente com os sistemas
defensivos, sensores,
computadores e sistemas
redundantes de energia,
o dispositivo de camuflagem
e torpedos transfásicos,
caso tenhamos superado
algumas dificuldades técnicas
referentes a sua instalação
na Harpia.
Após
a menção dos últimos dois
itens de teste houve certa
inquietação na sala, ao
que o Capitão reagiu:
-
Alguma pergunta?
-
Senhor – disse Jada –
não estamos proibidos
de desenvolver tecnologia
de camuflagem?
-
Sim, mas a Frota acha
que é questão de segurança
máxima termos o dispositivo
à mão em caso de necessidades
futuras. A tripulação
será informada, assim
que chegarmos ao sítio
de testes, das especificações
da nave no que for de
relevância para o bom
funcionamento da nave,
e só. Por favor, os detalhes
dessa reunião não devem
sair da sala – respondeu
o Capitão.
-
E os torpedos transfásicos,
não sabia que havíamos
obtido sucesso em replicar
os sistemas para funcionarem
em uma Akira – levantou
Lear.
-
De fato – começou Tabek
– no caso da USS Voyager,
houve influência externa
para adaptação, pois os
planos vindos do futuro
trouxeram também todas
as especificações técnicas
prontas para aquela nave,
utilizando tecnologia
sensivelmente mais avançada
que a que temos hoje.
Desde a chegada da Voyager
estamos tentando duplicar
os componentes para utilização
desse tipo de arma com
algum sucesso, mas não
obtivemos êxito em todos
eles. Dessa forma, os
torpedos transfásicos
da Harpia são versões
rudimentares do original,
mas ainda assim, em simulações
de computador, são significativamente
mais eficientes que torpedos
fotônicos e quânticos
- completou.
-
Sr. Antúria, sobre os
exploradores e os deltas,
por gentileza, inteire-nos.
-
Bem – pego de surpresa,
pois não era esse o tópico
da reunião – todos eles,
são oito, quatro de cada
tipo, estão equipados
com sistemas semelhantes
aos da Harpia, possuem
escudos automoduláveis
e blindagem ablativa,
mini-torpedos quânticos
e phasers mais potentes.
Outra adição foi os propulsores
de nova geração, mais
manobráveis. Apenas um
deles, o explorador Anúbis
tem um dispositivo de
camuflagem, para servir
como batedor da Harpia
em caso de necessidade.
Temos outras seis naves
auxiliares do Tipo 12,
três do tipo padrão e
outras três com equipamentos
científicos.
-
Srta. Jada, segurança
da nave e tático?
-
Estaremos operando apenas
em regime de comunicações
de alta prioridade e com
freqüências monitoradas,
sem possibilidade de envio
ou recebimento de mensagens
particulares até o retorno
à base estelar. As áreas
de segurança máxima, assim
consideradas as que trazem
equipamentos experimentais,
estarão operando com restrição
de pessoal e envolvidas
por campos magnéticos
de alta interferência,
dificultando leituras
de sensores de outras
naves. Como procedimento
padrão, sempre que entrarmos
em contato com outras
naves, estações ou planetas,
levantaremos escudos em
potência e interferência
máximas, disponibilizando
apenas banda a dos canais
de comunicação. Todos
os tripulantes têm seus
sinais vitais monitorados
continuamente pelos sensores
internos. Ah sim, qualquer
intruso que entre na nave
será imediatamente confinado
em um campo de contenção
e transportado para as
celas do presídio. Em
virtude da natureza missão,
o alerta amarelo será
o padrão, até segunda
ordem.
-
Excelente, Sr. Lear? –
instigou o Primeiro Oficial.
-
O laboratório de ciências
estará trabalhando em
três tarefas simultaneamente.
A primeira será na adaptação
dos sistemas de torpedos
transfásicos a nave, como
já mencionado. A segunda
na avaliação dos resultados
dos testes de armas e
defesas da nave. A terceira
será a adaptação de uma
das naves auxiliares para
coleta de resíduos de
asteróides e condução
de experiências embarcadas.
Já o laboratório de engenharia
estará dedicado aos sistemas
de propulsão da nave e
ao estudo do núcleo do
reator. E é isso basicamente,
Senhor.
-
Com licença – interrompeu
o Sr. Antúria – por que
não transportamos os fragmentos
a bordo, ao invés de analisá-los
em uma nave auxiliar?
Parece-me que essas naves
seriam muito mais limitadas
que o laboratório central
para esse tipo de pesquisa.
- Eu posso responder
essa – disse Jada – protocolos
de segurança, nenhum pessoal
ou material será transportado
para dentro da nave sem
que haja absoluta necessidade.
-
Doutora, alguma coisa
a acrescentar?
-
Não, Senhor. A enfermaria
está pronta e operando
a plena capacidade.
-
Excelente, excelente.
Estão todos dispensados,
na presente velocidade
chegaremos a nosso destino
em aproximadamente dois
dias. Até lá espero relatórios
regulares, a cada oito
horas, digamos.
[Diário Pessoal, Tenente Júnior Jada Damaris, data estelar 55960.8:
Hoje foi o meu primeiro dia como oficial chefe de segurança. Estou em êxtase.
Tudo correu bem. Mal
consigo acreditar que
fui designada para uma
classe Akira, ela é
enorme. Continuo nervosa,
fiquei assim a maior
parte do dia, principalmente
na presença do Primeiro
Oficial Tabek, vulcanos
me deixam nervosa. O
capitão mantém uma boa
dose de distância dos
oficiais, então não
sei direito como me
sentir na presença dele.
Leio nele, nos olhos,
muita tristeza, ou pesar.
Dizem que é um dos humanos
mais corajosos de que
se tem notícia, não
duvido.
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1.0pt 4.0pt"> Os outros oficiais graduados são bem mais acessíveis. O Sr. Antúria é bonachão
e risonho, lembra muito
meu pai. Damak é um
amor, meio atrapalhado,
mas muitíssimo gentil
e, pelo que pude perceber,
brilhante. Em Ktaria,
onde temos opiniões
sobre todos, muitos
acham que os benzites
são ingênuos demais
para servir em naves
espaciais, mas a verdade
é que eles são muito
tranqüilos quando não
estão pensando em eficiência.
Com a Dra. Safit e o
Sr. Lear não tive muito
contato além das reuniões
do staff. Estou ansiosa
por conhecê-los. Espero
que tudo corra bem durante
a missão. Encerrar]
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