Manobro o meu velho mustang vermelho
e estaciono junto a
uma cerca de madeira,
toda entrelaçada
por plantas. É
primavera, pequenos
botões de flores
começam a brotar.
O perfume se alastra
no ar.
Me encontro em frente de uma
típica casa americana,
nas imediações
do bairro do Brooklin
em Nova York. A fachada
é toda feita
em madeira, pintada
de branco, com um extenso
jardim na frente com
a grama bem aparada.
Olhando em volta, percebo
que todas as casas são
muito parecidas.
Na rua, as crianças brincam
alegremente sob os últimos
raios do sol no entardecer.
A propósito, o meu nome
é Daryl Fisher.
Eu sou uma escritora.
E o que me traz até
aqui hoje, neste belo
final de tarde de uma
sexta-feira é
uma entrevista. Eu fui
contratada por uma das
m maiores editoras de
Comics dos Estados Unidos
para escrever um livro
sobre os criadores,
roteiristas e desenhistas
dos seus maiores sucessos
na área dos quadrinhos.
Então decidi começar
por aquele que eu considero
o maior de todos. Esta
casa pertence ao criador
de uma das maiores lendas
das histórias
em quadrinhos, o Batman.
Pego o meu bloco de anotações
e o gravador no banco
do passageiro. Quando
saio do carro, experimento
a agradável sensação
de calor na minha pele
produzida pelo calor
do sol poente.
Antes que eu chegue ao portão,
a porta da casa se abre
e de dentro dela sai
um enorme pastor alemão
seguido de um garotinho
ruivo muito bonito.
Ele olha para mim e
sorri. Eu retribuo o
sorriso e digo que estou
procurando por Bob Kane.
O garotinho vai correndo até
a porta e grita: “Vovô,
tem uma moça
bonita procurando você
!” Logo em seguida
aparece um homem de
idade, calvo e com um
enorme bigode preto
emoldurando um sorriso
maior ainda. O ruivinho
abre o portão
e eu entro fazendo festa
no fucinho do cachorro
que não para
de pular em cima de
mim animadamente.
O homem se aproxima estendendo
a mão, “Olá,
sou Bob Kane, e o sardento
aqui é meu neto,
Rusty. Você deve
ser a escritora que
a DC mandou ...”
Apressei em apresentar-me
; “Daryl Fisher,
muito prazer !”
E é muito prazer mesmo,
imaginem que eu estou
conhecendo nada mais,
nada menos, do que o
criador do maior herói
de quadrinhos da minha
infância. Sim,
não é
porque eu sou uma mulher,
que eu não curtia
histórias de
super-heróis.
Fiquem sabendo que os
quadrinhos não
são nenhum “Clube
do Bolinha”, onde
meninas não entram.
A prova disso que um
dos personagens que
fazem maior sucesso
entre o público
feminino é “Conan,
o Bárbaro”,
criado pelo já
falecido Roberto E.
Howard.
É claro que a mamãe
chiava muito com isso,
mas levando em consideração
que esse meu gosto me
levou a conhecer muitos
meninos, até
que ela não devia
ficar tão chateada.
Bob me convidou para entrar.
O interior da casa não
sai fora da linha de
seu exterior, é
muito aconchegante.
Do fundo da sala dá
para se avistar uma
lareira, em cima dela
um jogo de porcelana
trabalhada muito bonita.
No centro da sala, uma
pequena mesa de carvalho,
também toda trabalhada,
com um bonito arranjo
de flores em cima. Através
das cortinas passa uma
soave claridade que
da um sentimento de
profunda paz ao ambiente.
Bob apontou para uma porta do
lado direto da sala
e disse: “Vamos
até o meu escritório,
lá vamos ficar
mais a vontade”.
Eu o segui sem fazer
cerimônias.
O escritório
de Bob é uma
enorme sala com grandes
portas e janelas com
vitrais, que dão
em um jardim florido,
com um pequeno chafariz
ao centro. Além
da grande escrivaninha
de carvalho, há
uma prancheta de desenho,
ladeada por um arquivo
de ferro e uma mesa
cheia de material de
pintura; lápis,
tintas, réguas
entre outras coisas.
Nas paredes uma série
de quadros e posters
das capas das primeiras
revistas do Batman.
Desenhos, rascunhos
e muitas fotos. A maior
parte é em preto
e branco, coisas muito
antigas mesmo.
Bob me convidou à sentar
em um enorme sofá
de couro marrom. “E
então, você
gostou ?” ele
me perguntou abrangendo
o lugar com um gesto
do braço. “Se
gostei, respondi, eu
adorei !”.
“Ótimo”. ele
foi até uma pequena
geladeira e trouxe duas
cervejas geladas. “Muito
bem moça, agora
que estamos bem instalados
e devidamente refrescados,
por onde começamos
?”
Eu adoro isso em um homem. Direto
ao assunto, sem rodeios.
Liguei o meu gravador
e preparei o bloco de
rascunhos.
“Bob, inicialmente
eu queria saber de onde
surgiu a idéia
do Batman ?”
Bob se levantou e foi até
a parede, onde ficou
olhando para uma fotografia.
“Daryl, o que
você me diria,
se eu lhe dissesse que
o Batman realmente existiu,
não só
ele, mas também
o seu maior inimigo,
o Coringa ?”
“Diria para você mudar
a marca da sua cerveja,
ou larga-la de vez”.
Ele deu uma sonora gargalhada
e tirou da parede a
fotografia que estava
olhando. Entregando-a
para mim, cruzou os
braços e ficou
com um sorriso maroto
no rosto.
A foto devia datar da década
de 30, devido ao vestuário
e a impressão
muito antiga. Ela mostrava
um homem muito elegante,
alto, cabelos pretos
cortados rentes e olhos
azuis muito penetrantes.
Um homem realmente bonito
que poderia se encaixar
em qualquer época
sem nenhum problema.
Intrigada, perguntei
à Bob quem era
aquele homem. Ainda
com aquele sorriso maroto,
ele respondeu simplesmente:
“Bruce Waine.”
“Você não
pode estar falando sério,
eu disse ainda com o
retrato em minhas mãos”.
“É claro
que eu estou, ele foi
até a parede
novamente e retirou
outra fotografia, adivinhe
quem é este.”
No outro retrato havia
um homem de cabelos
claros, com um rosto
muito branco e um sorriso
sardônico estampado
nele, trajando um fraque,
com uma cartola em uma
mão e um leque
de baralho na outra,
como se estivesse fazendo
um truque de mágica.
“O Coringa, falei
baixinho”. Bob
se sentou outra vez
ao meu lado e ficou
olhando minha cara espantada.
Também não
era para menos, imagine
só você
descobrindo que o seu
herói de infância
era de verdade, que
tinha existido realmente.
De repente eu me dei conta de
que estava ouvindo um
história que
não tinha sido
contada nunca. Por que
Bob estava fazendo isso
justamente agora, e
por que para mim ? Foram
essas as dúvidas
na minha mente que coloquei
para Bob.
“O fato de eu
nunca ter contado essa
história antes,
é porque não
havia ainda um distanciamento
grande entre o personagem
e o homem. O que quero
dizer é que prometi
a ele não revelar
nada antes de sua morte.
Sabe como é,
repórteres, publicidade...
Ele não gostava
desse tipo de coisa.
E o fato de eu ter escolhido
você é
muito simples, eu não
poderia escrever a história
sem confundi-la com
os próprios quadrinhos.
E mesmo que o fizesse,
os próprios leitores
se encarregariam de
fazer a confusão.
Ao passo que uma escritora
pode manter as coisas
em perspectiva, sem
cair em um Pulp Fiction
barato.”
O homem realmente sabia encher
a bola de uma pessoa.
Me ajeitei o mais confortavelmente
possível e me
preparei para escutar
a maior de todas as
aventuras do Batman,
a verdadeira aventura...
A ÚLTIMA AVENTURA
DE BATMAN !
A
GRANDE DEPRESSÃO
Estamos no ano de 1930. Local,
a cidade de New York,
também conhecida
como a “Grande
Maçã”.
Eu estava com o meu
pai no topo da maior
criação
da engenharia civil
feita até aquele
dia pelo homem; O Empire
State Building. Do alto
dos seus 375 m. de altura,
mais de cento e trinta
andares, o mundo lá
embaixo nos parecia
pequenino e silencioso.
A única coisa
que sentíamos
e ouvíamos era
o barulho do vento que
uivava como o lamento
de um lobo numa fria
noite de inverno.
Olhando para baixo ninguém
poderia dizer o drama
que se desenrolava entre
aquele intrincado labirinto
de ruas , ou dentro
daqueles sem número
de prédios que
constituíam a
minha amada e amaldiçoada
cidade.
Em Outubro de 1929, o mercado
de títulos caiu.
Em apenas um dia homens
ricos se tornaram pobres,
e homens pobres se viram
atirados na mais completa
miséria. Corretores
desesperados venderam
quase 16,5 milhões
de dólares em
ações
pelo o que podiam pagar.
As perdas chegaram a
quase 30 milhões
de dólares. As
fábricas fecharam.
Homens sem empregos
e agricultores sem clientes
perderam lares e tudo
o mais que tinham. Industriais
e acionistas falidos
se suicidavam todos
os dias. O Presidente
dos Estados Unidos naquela
época era Herbert
Hoover, mas apesar de
suas tentativas para
conter o pânico,
a nação
mergulhou numa profunda
depressão econômica.
Nossa família teve sorte.
Apesar da trágica
situação
que o país estava
atravessando, meu pai
conseguiu manter o seu
negócio. Ele
era dono de uma lanchonete
no Queens. Quanto a
mim, consegui um emprego
entregando jornais.
Na época eu tinha
treze anos. Além
disso fazia serviços
de mensageiro para a
redação
de um dos principais
jornais do país,
o New York Times. O
seu dono era Adolph
Ochs.
Quando eu estava na redação
sempre escutava as pessoas
falando de como ele
comprou o jornal quase
falido e o transformou
em uma potência.
Tinham uma verdadeira
admiração
pelo homem.
É nesse cenário
que surge o nosso herói!
A primeira vez em que
botei os olhos em Bruce
Waine foi justamente
na redação
do Times. Ele era uma
figura impressionante;
alto, trajando um terno
de linho de um tom cinza
claro, cabelos pretos
cortados rentes, um
olhar azul penetrante
e um sorriso capaz de
conquistar o mundo.
Diferente do que eu costumo contar
nas histórias
em quadrinhos, a fortuna
Waine não provinha
dos estados Unidos.
Ao contrário,
ela vinha da Inglaterra.
Filho de um Almirante
da indústria
naval inglesa, os Waines
souberam preservar suas
riquezas apesar da queda
da bolsa que abalou
o mundo inteiro e não
só os Estados
Unidos.
Waine atravessou imponente a redação
cumprimentando as pessoas
e recebendo tapinhas
nas costas até
chegar a mesa de um
dos repórteres,
Jarves Harding.
“Olá Jarves meu velho
o que conta de novo,
perguntou Waine sentando-se
na ponta da mesa do
repórter e desarrumando
seu cabelo de maneira
jovial. Harding levantou
os olhos da papelada
que estava olhando e
tirou a mão de
Waine de sua cabeça.
“Pelo amor de
Deus Waine, por onde
é que você
anda. Tudo o que se
fala é nessa
maldita depressão,
abrindo os braços
ele exclamou, será
que você é
o único milionário
do país que não
está com problemas
financeiros ?”
Waine cruzou os braços
e olhou sério
para o amigo. “Não
seja injusto meu velho,
também tivemos
nossos reveses. Só
que papai é um
raposa velha, ele soube
como salvar a situação.”
Ele deu uma gargalhada e saltou
da mesa. “De qualquer
forma, Jarves meu velho,
eu não vim aqui
discutir a situação
econômica do país,
mas sim lhe pedir um
favor. Ele enfiou a
mão no bolso
do paletó e tirou
um pedaço de
papel, " Quero
que coloque um anúncio
no seu jornal para mim".
Harding pegou o papel da mão
de Waine com um safanão,
leu a primeira vez,
arregalou os olhos e
leu de novo com um sorriso
brotando de seus lábios.
“Eu não
acredito nisso, não
pode ser. O solteirão
inveterado e boa vida,
Bruce Waine, vai se
casar?”
Harding se levantou e abraçou
o amigo com força.
“Caroline Stevenson
não sabe a dor
de cabeça que
está arrumando.”
Os dois riram juntos
por algum tempo. Então
Waine falou mais alguma
coisa para Harding que
eu não pude escutar.
Os dois se despediram
com um caloroso aperto
de mãos.
Quando Bruce Waine passou por
mim nossos olhos se
encontraram e de seus
lábios surgiu
novamente aquele sorriso
como se ele me conhecesse.
Fiquei observando até
ele desaparecer pelas
portas. Senti uma mão
em meu ombro e me virei
, era Harding. “Sabe
quem é ele Bob,”
balancei a cabeça
negativamente
" Ele é
o Batman!”.
Batman, só tinha escutado
esse nome em conversas
de adultos nas ruas
e quando brincávamos
de policia e ladrão
nos terrenos baldios.
Jamais pensei que pudesse
ser de verdade, e para
falar a verdade até
hoje tenho a impressão
de que tudo não
passou de um sonho,
produto da imaginação
de um garoto que vivia
com a cabeça
no mundo da fantasia.
Só que foi real!
Bruce Waine era dotado de uma
inteligência e
capacidade dedutiva
notáveis. Sendo
ele rico e com disponibilidade
de tempo, dedicou parte
de sua vida aos estudos;
história, geografia,
botânica, química
mas principalmente a
zoologia. Tinha uma
admiração
louca por uma determinada
espécie de animal,
os morcegos. Sozinho
tinha classificado mais
de trinta espécies
dessas criaturas em
suas viagens pelo mundo.
Daí o apelido
de Batman, " O
Homem Morcego. Porem
esse nome não
ficou notório
na cidade pela sua excentricidade
de zoólogo, mas
sim devido ao fato de
ter colocado alguns
dos gangsters mais conhecidos
da época atrás
das grades.
Ele não andava de noite
pelos telhados trajando
uma roupa de morcego
como você esta
imaginando, isso é
parte apenas das minhas
histórias em
quadrinhos. Não,
como eu disse antes,
ele era de um inteligência
e capacidade de dedução
notáveis. Sendo
assim, não tardou
ele a colocar o seu
intelecto para solucionar
os mais intrincados
casos policiais, rivalizando
como muitos gostavam
de compara-lo com o
seu colega de ficção,
Sherlock Holmes. Isso
é claro, o agraciou
com muitos inimigos,
mas amigos e admiradores
também.
Bem, como vim a me envolver com
este homem é
o que eu vou lhe contar
agora:
Harding pediu para que eu fizesse
uma entrega na mansão
de Bruce Waine que ficava
fora de New York. Devido
toda aquela situação
que o país atravessava,
as crianças eram
obrigadas a se virarem
como podiam. Arrumavam
qualquer bico para levarem
dinheiro para casa e
ajudarem os pais. Por
isso meu pai não
se incomodava quando
eu demorava muito. Ele
confiava em mim, e sabia
que eu estava trabalhando.
Porque mesmo tendo conseguido
manter a lanchonete
a situação
não estava boa.
É preciso lembrar
que nossos clientes
eram constituídos
de desempregados. Portanto,
todo o dinheiro que
entrasse ajudava.
A Mansão Waine ficava em
outro distrito, para
eu chegar lá
era preciso pegar o
trem. O lugar se chamava
Gothan City.
Sim, eu sei. Não é
interessante como as
coisas verdadeiras têm
a capacidade de se perderem
com o tempo, sendo lembradas
apenas como lendas ou
ficção
?
O
REI
Quando eu cheguei a Gothan City
já passavam,
das 18:00 hs. Sai da
estação
de trem e peguei o primeiro
taxi que encontrei.
A cidade não
era muito grande. A
Mansão Waine
ficava em Bristol, bairro
rico de Gothan. Puxando
conversa com o motorista,
fiquei sabendo que a
cidade tinha vinte e
quatro bairros. Tirei
o relógio de
bolso que meu pai tinha
me dado e olhei a hora
outra vez, já
estava ficando muito
tarde. Vinte minutos
depois chegamos ao meu
destino.
A Mansão era simplesmente
maravilhosa. Tinha cinco
andares, forrados por
mais janelas do que
eu tinha vontade de
contar, com um imenso
arco no centro com uma
porta gigante de duas
bandas, sendo que a
casa era ladeada por
duas imensas torres.
Despedi-me do motorista indo até
a enorme porta. Argolas
gigantes de maçanetas,
e ao lado da porta havia
uma corda presa a um
série de sinos.
Eu puxei e o barulho
dos sinos foi ensurdecedor.
Pouco depois a enorme porta se
abriu e uma senhora
de cabelos brancos com
um enorme sorriso no
rosto e trajando um
vestido azul me atendeu.
Tirei o boné
da cabeça e estendi
o embrulho para ela.
“Eu trouxe uma
encomenda do Sr. Harding
para o Sr. Waine.”
A senhora me puxou gentilmente
pelo braço para
dentro da casa. “
Ah meu querido, espere
só um momento
que o Sr. Waine já
vem falar com você.”
A bondosa senhora sumiu por uma
porta me deixando sozinho
em um enorme salão.
Eu estava simplesmente
extasiado. Aquela mansão
parecia um castelo medieval.
Duas enormes escadarias
davam para o andar de
cima. Enormes janelas
com vitrais trabalhados
com figuras de cavaleiros
em armaduras ladeavam
as enormes portas. O
lustre era tão
grande e luminoso que
parecia uma enorme bola
de fogo pendendo do
teto. Embaixo dos meus
pés um espesso
tapete branco. Era tudo
maravilhoso!
De repente de uma das escadarias
veio descendo a imagem
de um anjo. Eu estava
me sentindo como um
príncipe, e aquela
era a minha princesa
! Ela a moça
linda que eu já
tinha visto! Tinha os
cabelos ruivos compridos
e escorridos, emoldurando
um rosto pequeno e bonito,
com olhos castanhos
tão escuros que
pareciam a noite, o
nariz era pequeno, mas
não arrebitado,
um pouco aquilino, dando
um ar de inteligência
e esperteza em conjunto
com os olhos. Os seus
lábios grandes
e vermelhos denotavam
uma ingenuidade quase
maliciosa. É
claro que toda essa
análise só
pude fazer anos depois
quando já era
um homem feito. Naquele
momento ela era simplesmente
um anjo !
Ela descia as escadas com seus
braços alvos
expostos, trajando um
belo vestido branco
rodeando o seu belo
corpo.
Se aproximando de mim a moça
passou a pequena e quente
mão no meu rosto.
Eu estava no céu
!
“Ora, ora, meu jovem, vejo
que já conheceu
Caroline.” Tamanho
foi o meu susto quando
eu vi Bruce Waine que
deixei o embrulho cair
no chão. Ouvi
o som de vidro se quebrando,
quando olhei para baixo
vi o tapete todo empapado
por um líquido
borbulhante.
“Senhor, me desculpe, eu
não queria, quero
dizer ..., envergonhado
eu me abaixei e comecei
a catar os pedaços
das garrafas de champanhe.
Quando uma mão
pequena pousou em minha
cabeça. “Não
se preocupe querido,
a culpa foi minha.”
Olhei para o rosto da moça
quase chorando, quando
uma mão maior
e mais forte segurou
em meu braço
e me levantou gentilmente.
Bruce Waine pegou um pedaço
da garrafa onde tinha
parte de um rótulo.
Depois de ler fitou-me
com aquele olhar penetrante,
aos poucos foi brotando
em seus lábios
um caloroso sorriso:
“E o Harding tem
coragem de me mandar
esse desentupidor de
pia, não imagino
melhor destino do que
acabou de sofrer.”
Ele começou a
gargalhar, contagiados
eu e Caroline começamos
a rir também
até sair lágrimas
de nossos olhos.
Bruce Waine estendeu a mão
e apertou a minha com
força. Naquele
momento senti que poderia
confiar àquele
homem a minha própria
vida.
“Esta é minha noiva
e futura esposa, Caroline.”
Ele a aninhou junto
ao seu corpo como se
fosse o bem mais precioso
do mundo. “E você
meu jovem, como se chama
?”
“Bob senhor, Bob Kane.”
Respondi em voz baixa
para o gigantesco homem
a minha frente. “Pois
bem, Bob Kane, já
é tarde demais
para você ir embora.
Esta noite você
fica na Mansão
Waine. Imediatamente
eu protestei. “Mas
eu não posso
ficar senhor, os meus
pais vão ficar
preocupados.”
Ele simplesmente colocou a mão
em meu ombro e me conduziu
para outra sala juntamente
com sua noiva. “Nós
podemos resolver esse
pequeno problema.”
Na sala estava sentado
em um enorme sofá
um homem de certa idade
, calvo, com um bigodinho
e olhar cansado.
“Alfred, este jovem será
nosso convidado por
essa noite.”O
homem deu um pequeno
sorriso e acenou a cabeça
para mim. “Bob,
qual o telefone de sua
casa ?” Eu olhei
para Bruce Waine e disse
que o nosso telefone
havia sido cortado porque
não tínhamos
dinheiro para pagar
a conta. “Nesse
caso, disse Waine, pedimos
para o Harding avisar
aos seus pais, afinal
de contas você
veio aqui a serviço
dele. Você liga
para ele Alfred.”
“Certamente senhor”.
Respondeu o homem imediatamente
pegando o telefone que
estava na mesinha ao
seu lado.
Caroline se aproximou de mim sorrindo.
“Venha comigo,
vou levar você
até um dos quartos
de hóspedes onde
poderá se lavar
e vestir uma outra roupa.”
Eu não podia
acreditar que tudo aquilo
estava acontecendo,
e ainda nem eram oito
horas da noite !
Tomei banho de banheira, coisa
que eu nunca tinha feito
na vida, era delicioso!
Depois do banho entrei
no quarto enrolado em
uma toalha, em cima
da cama tinha um terno
aparentemente do meu
tamanho. Me vesti e
fui me juntar a Bruce
Waine e seus amigos.
A primeira coisa que Waine disse
ao me ver é que
tinha certeza que um
dos antigos ternos de
quando ele era criança
serviria em mim.
“Deverás, senhor.”
Respondeu Alfred, com
um sorriso econômico
e olhar cansado. Alfred
não era o mordomo
de Bruce Waine como
você está
imaginando. Ele era
advogado e procurador
da família. Na
Verdade Tomas Waine
incumbiu Alfred, que
era um antigo amigo,
de tomar conta de seu
filho Bruce, evitando
que ele desperdiçasse
sua fortuna antes de
atingir a idade adulta.
Porém os laços
que os uniam se estreitaram,
de forma que Alfred
se tornou amigo e confidente
de seu protegido tornando-se
seu leal escudeiro em
suas aventuras.
Caroline abraçou Bruce
por trás e disse
em seu ouvido. “E
então querido,
vamos aceitar o convite
de meu pai ?”
Waine segurou as mãos
de sua noiva e olhou
para mim. “E porque
não ? Temos que
proporcionar uma boa
estadia para o nosso
convidado, não
é mesmo Bob ?
E eu também estou
muito curioso em conhecer
este Coringa.”
Coringa, outro nome que eu jamais
esquecerei pelo resto
de minha vida. Ele era
um mágico e adivinho
que tinha vindo para
Gothan a uns seis meses.
Tinha previsto a queda
da bolsa de valores
salvando algumas das
maiores fortunas da
cidade. Entre elas a
de Roy Stevenson, dono
da maior madeireira
da Costa Leste e pai
de Caroline. Depois
disso ele passou a ser
conselheiro desses ilustres
de Gothan, tanto no
campo financeiro, como
em todos os aspectos
de suas vidas.
Porém, para Bruce Waine
existia alguma coisa
muito estranha acontecendo.
E o olhar obstinado
dele dizia que nada
iria impedi-lo de descobrir
o que era.
O
CORINGA
Eu não conseguia parar
de abrir a boca a todo
momento sem emitir um
único som. A
noite de Gothan City
era maravilhosa!
Nós estávamos no
Centro Financeiro. Ali
estavam os principais
edifícios da
cidade; os bancos, a
bolsa de valores, as
joalheiras, hotéis,
restaurantes e teatros.
E era para lá
que estávamos
indo, a Brodway Gotamita!
Nós fomos para o maior
teatro da cidade, o
Adam Howe Pavilion,
batizado dessa maneira
em homenagem ao primeiro
Governador Geral de
Gothan. Lá estava
acontecendo o show de
maior sucesso na cidade
dos últimos meses.
Era o “THE MAGIC
WORLD OF JOKER”.
Saímos do carro enquanto
Bruce dava instruções
para o motorista e Alfred
retirava os convites
na bilheteira. Alfred
nos chamou. “O
show já começou.”
Entramos rápido
e nos dirigimos para
o camarote do pai de
Caroline. Roy Stevenson
era um homem alto e
corpulento, com os cabelos
totalmente brancos e
a barba bem aparada.
Ele se levantou e abraçou
fortemente a filha,
apertando em seguida
a mão de Bruce
e acenando com a cabeça
para mim e Alfred com
um grande sorriso no
rosto. “Pensei
que vocês não
viessem mais.”
O teatro era enorme. Tinha lugares
para duas mil pessoas,
contando com os três
andares de camarotes
que iam do inicio ao
fim das paredes da nave
do teatro. A abóbada
da nave era toda ornamentada
e com pinturas contando
a colonização
da cidade. Além
disso ela podia ser
aberta em noites estreladas.
Ouviu-se os três
toques característicos
da campainha anunciando
que o espetáculo
iria começar.
Aos poucos todos foram
tomando seus lugares
e ficando quietos. A
iluminação
foi diminuindo gradativamente
até tudo ficar
na mais completa escuridão.
A medida que o tempo passava e
nada acontecia começou
a deixar as pessoas
inquietas em seus lugares.
De repente uma explosão
de luzes coloridas se
fez no palco seguida
do som de trombetas.
Do meio das luzes surgiu
a figura de um homem
em traje de gala, cabelos
castanhos muito claros
e a face totalmente
branca, com um grande
sorriso vermelho se
destacando nela.
O som das trombetas foi aumentando
juntamente com as luzes
até uma altura
ensurdecedora. De repente
tudo cessou, e só
ficou o homem no palco.
As pessoas começaram
a aplaudir efusivamente
ao que o homem respondeu
apenas com um leve aceno
de mão, como
se fosse sempre natural
essa reação
das pessoas a sua presença.
Aos poucos as pessoas
foram silenciando novamente.
Nós estávamos em
um dos melhores camarotes
do teatro. Ele ficava
no primeiro andar, junto
ao palco. Dessa maneira
tínhamos uma
visão privilegiada
de tudo o que acontecia.
A minha primeira reação
depois de passar o meu
espanto foi olhar para
Bruce. Ele estava em
pé junto as cortinas,
de modo que ficou encoberto
pelas sombras. Um pequeno
facho de luz iluminava
apenas a parte de baixo
de seu rosto, mostrando
o seu queixo forte e
os lábios finos
apertados como um corte
de navalha. Sua silhueta
escura se destacando
na porta iluminada estava
atemorizante! Pela primeira
vez eu vi Batman!
Toda vez que eu desenhava o meu
personagem eu evocava
essa poderosa imagem
em minha cabeça.
Waine estava alerta,
ele parecia sentir que
algo estava para acontecer.
O Coringa se aproximou
do palco e ficou olhando
para a platéia
com o seu sorriso horrível
estampado no rosto.
Que figura impressionante
ele era! E de uma maneira
estranha, muito semelhante
ao Batman. E então
eu percebi o porque.
Eram aqueles olhos,
tão duros e obstinados
quanto os de Waine.
“Cavalheiros e Damas, uma
vez mais vocês
me brindam com a sua
presença. Não
imaginam o meu prazer
em ver essa casa sempre
lotada...” Antes
que o Coringa pudesse
concluir as pessoas
começaram a aplaudir
novamente. “Por
favor, por favor, vocês
são tão
carinhosos!”
Alfred se inclinou para trás
e falou em voz baixa
para Bruce com sua ironia
característica.;
“E o espetáculo
ainda nem começou.”
“Eu não diria isso
meu caro, eu não
diria isso.” retrucou
Waine com um olhar compenetrado.
“Eu lamento lhes informar
que esse será
o meu último
show em sua bela cidade.
Devido a problemas pessoais,
sou forçado a
ir embora ainda hoje.”
Formou-se um burburinho,
as pessoas começaram
a protestar e lamentar.
“Não fiquem
assim meus queridos,
porque esta última
apresentação
será memorável...
eu lhes prometo!
“Senti uma nota de desprezo
naquela promessa, e
não fui o único!
Bruce se aproximou do
balcão , expondo
sua figura imponente
à luz. Os olhos
dele e do Coringa se
cruzaram, fixando-se
um no outro por alguns
instantes. Juras secretas
de ódio eterno
foram trocadas naquele
momento!
O show do Coringa era realmente
o máximo. Era
preciso tirar o chapéu
para o homem, ele fazia
de tudo! Truques de
levitação,
atirava facas, truques
com baralhos, e até
o manjado coelho dentro
da cartola! Mas o ponto
máximo do espetáculo,
e o que todos aguardavam
ansiosamente era o show
de adivinhações.
O Coringa começou a andar
pelo palco enquanto
falava. “Bem meus
queridos convidados,
para este número
vou precisar de alguém
da platéia. Quem
teria a coragem de revelar
os seus mais profundos
segredos para nós?”
Lentamente ele virou
o rosto em direção
do nosso camarote e
ficou olhando para Bruce.
Por um instante eu pensei
que ele fosse chama-lo,
porém... Eu chamo
o rei da Madeira, Roy
Stevenson.” O
Coringa estendeu os
braços para o
nosso camarote enquanto
todos aplaudiam.
Stevenson se levantou agradecendo
e acenando para o Coringa.
“Ah, Ah, esse
Jack não tem
jeito mesmo!”
Caroline se levantou
e ficou ao lado de Waine.
“Bruce, eu não
estou gostando disso,
aquele homem me assusta.”
Ele sorriu para noiva
e deu um beijo em sua
testa. Em seguida fez
um sinal para Alfred
com a cabeça,
que se levantou e foi
atrás de Stevenson.
Hoje, olhando para trás,
a impressão que
eu tenho é de
que estava vivendo um
daqueles romances de
aventura que eu tanto
gostava de ler! No palco
Roy Stevenson apertou
a mão e abraçou
o Coringa, como se este
fosse um ente querido
da família.
Bruce Waine agora estava sentado
com o olhar fixo no
Coringa. Eu podia sentir
a sua tensão.
Ao seu lado Caroline
também tinha
a expressão compenetrada,
como se esperasse ou
soubesse de que alguma
coisa iria acontecer.
Quanto a mim, acompanhava
os acontecimentos como
um espectador que era,
sem nada poder fazer,
mas ainda assim deslumbrado
com tudo aquilo!
A
DAMA
Stevenson estava sentado em uma
cadeira no palco de
frente para a platéia,
enquanto o Coringa estava
de pé, uns cinco
passos atrás
dele. “Muito bem,
Roy meu querido, eu
quero que você
se concentre em coisas
agradáveis, limpe
sua mente, deixe-a livre
para mim.”
O silêncio no teatro era
quase religioso. Sendo
pouco original, dava
para se ouvir o barulho
de um fio de cabelo
caindo no chão.
E Waine continuava imóvel
como uma antiga estátua
grega.
O Coringa andou até a borda
do palco, bem a frente
de Roy Stevenson. “Damas
e Cavalheiros, atrás
de mim está um
dos mais conceituados
cidadãos de Gothan
City. Dessa maneira
quero crer, que, da
mais absoluta confiança
de vocês. O que
lhes dá a garantia
de que este número
não é
uma farsa.”
“Muito esperto Coringa,
muito esperto.”
Ouvi Waine sussurrar.
O Coringa começou
com coisas simples.
Ele pedia para que Roy
pegasse algum objeto
pessoal, enquanto ele
adivinhava o que era.
Em seguida começou
a fazer perguntas específicas
a respeito dos negócios
e da vida dele. Para
em seguida falar coisas
que somente Roy Stevenson
e sua filha poderiam
saber. Caroline estava
inquieta, olhava de
Bruce para o palco constantemente.
“É impossível,
como ele pode saber
a respeito dessas coisas?”
Waine segurou em suas mãos.;
“Talvez seu pai
tenha contado ao Coringa.”
Caroline olhou abismada
para o noivo. “O
que está sugerindo
Bruce, que o meu pai
esta participando de
uma farsa com um vigarista
qualquer?”
“Não, eu estou dizendo
que talvez o seu pai
tenha sido levado a
contar essas coisas
ao Coringa, contra a
sua vontade.”
Enquanto isso a platéia
aplaudia de pé
o Coringa, que recebia
os comprimentos com
beijos e obrigados,
rodopiando com os braços
abertos. O homem gostava
de ser o centro das
atenções.
Roy se aproximou do
Coringa e os dois se
abraçaram. Roy
Stevenson então
pediu silêncio
para a platéia.
Com o braço esquerdo
em volta dos ombros
do Coringa começou
a falar: “Meus
amigos, todos vocês
sabem o que esse extraordinário
homem fez por mim e
por alguns outros renomados
cidadãos de Gothan.
Num momento em que a
economia nacional e
mundial estava ameaçada,
ele com os seus dons
fantásticos conseguiu
predizer o que estava
para acontecer e conseguiu
nos convencer a tomar
medidas antes da tragédia.”
Todos os presentes aplaudiram
efusivamente. “Por
favor, Senhoras e Senhores.
Em reconhecimento e
agradecimento a Jack
Napier, mais conhecido
como o Coringa, eu e
os outros cidadãos
já citados, vamos
passar ações
de nossas Companhias
para ele, tornando-o
dessa maneira nosso
sócio.”
As reações de todos
ali , foram, as mais
adversas que se pode
imaginar. De estupefação,
até a incompreensão!
Caroline se levantou
de sobressalto, dando
a impressão de
que ia cair do camarote.
Sua pele naturalmente
branca, naquele momento
se assemelhava a uma
vela. Bruce segurou-a
pelo ombros sussurrando-lhe
palavra de conforto
no ouvido. Enquanto
isso o Coringa agradecia
a Roy Stevenson com
um misto de cinismo
e ironia no sorriso
estampado em seu rosto.
“Oh Roy, eu nem sei o que
dizer, estou tão
emocionado! Vocês
todos são tão
bondosos comigo!”
Dizendo isso o Coringa
se aproximou da platéia
com as mão cruzadas
diante do peito e os
olhos cheios de lágrimas,
sua bocarra com os cantos
virados para baixo,
formando um U de ponta
cabeça. “Vou
sentir tanto a falta
de vocês quando
eu partir...”
Derepente ele soltou
uma gargalhada alucinante.
“Mas como dizem no Show-bis,
o espetáculo
deve continuar!”
Rindo loucamente o Coringa
jogou alguma coisa no
chão que causou
uma enorme nuvem de
fumaça, enquanto
a música e as
luzes explodiram novamente.
Quando tudo terminou
, nem o Coringa, nem
Roy Stevenson estavam
mais no palco. Ao público
não restou nada
mais a fazer além
de aplaudir.
Entretanto, no nosso camarote
Caroline estava desesperada.
“Onde está
o meu pai Bruce, para
onde aquele homem o
levou?” Waine
em vão tentava
acalmar sua noiva, quando
Alfred entrou.; “Sr.
Waine, nenhum sinal
do Sr. Stevenson ou
do Coringa. Verifiquei
todos os camarotes e
saídas, eles
não estão
mais no teatro.”
Essa informação
só serviu para
deixar Caroline mais
nervosa. Eu queria poder
fazer alguma coisa,
mas era apenas um garoto.
Então um mensageiro
do teatro entrou no
camarote com uma mensagem.”
Srta. Caroline, seu
pai pediu que lhe entregasse
esse bilhete.”
Caroline pegou o bilhete,
enquanto Bruce tirava
uma moeda do colete
e dava de gorjeta ao
mensageiro, que agradeceu
e saiu. Ela entregou
o bilhete para Waine,
fechando os olhos e
abraçando o próprio
corpo.
Waine leu o bilhete e olhou para
Caroline. “Essa
é a letra de
seu pai?” Ela
balançou afirmativamente
a cabeça.
“Mas não faz sentido
Bruce, meu pai jamais
viajaria dessa maneira,
sem falar comigo antes.
E isso de doar ações
para aquele homem...
Oh, Bruce, eu sinto
que papai está
em perigo.”
Bruce Waine pegou o casaco de
sua noiva e conduziu-a
para fora do camarote,
seguidos de perto por
mim e Alfred. Fora do
teatro o Batman assumiu
o lugar do milionário.
“Pois bem, é
isso o que vamos fazer:
Alfred, eu quero que
você descubra
tudo o que puder sobre
esse Coringa, comece
pela direção
do teatro. Enquanto
isso eu vou até
a Chefatura de policia
conversar com o Comissário
Gordon.” Waine
parecia um general comandando
as suas tropas.
Então Caroline
segurou no braço
de seu noivo. “E
eu, o que faço
?”
Com um sorriso maroto no rosto
Waine apontou para mim.
“Você leva
o pequeno Bob para casa
e toma conta dele. Assim
que tivermos alguma
noticia entramos em
contato.”
Caroline tentou protestar, mas
antes que pudesse dizer
alguma coisa Waine já
estava dando instruções
para o chofer e nos
colocando dentro do
carro. “Não
se preocupe querida,
vai dar tudo certo.”
Bruce Waine beijou ardentemente
os lábios de
sua noiva para em seguida
sumir no meio da noite
com o seu fiel companheiro
Alfred. Pequeno Bob,
eu estava indignado,
afinal de contas eu
já tinha treze
anos, apesar de que
realmente eu era pequeno
para a minha idade.
Na verdade, Waine me
usou como desculpa para
deixar sua noiva a salvo.
Porém estava
bem longe dos planos
de Caroline deixar toda
a diversão para
ele! Tendo acompanhado
vários dos casos
de Batman, era de se
esperar que a moça
tivesse aprendido algo
a respeito dos métodos
de investigação
do grande criminalista,
e tomado gosto pela
aventura.
“James, me deixe em minha
casa e depois leve Bob
para a Mansão
Waine. Peça para
que Ema bote o garoto
na cama.” Agora
era minha vez de tentar
protestar. “Mas
o Sr. Waine disse...”
“O Sr. Waine não
manda em mim.”
Uau, eu acho que estava
vendo os prelúdios
do movimento feminista
ali na minha frente!
Aquela era uma mulher
especial! Depois de
muitos anos após
aqueles acontecimentos,
de muitas maneiras,
tentei achar uma mulher
que ao menos se parecesse
com ela. Nunca consegui,
Caroline era única.
E Bruce Waine sabia
disso! Caroline Stevenson
foi o meu primeiro amor,
e o último dele!
A
DAMA
E
O CORINGA
Caroline ficou em sua casa, enquanto
eu seguia para a Mansão
Waine. Só que
eu sabia que ela ia
tentar fazer alguma
coisa perigosa. E já
que o Batman não
estava por perto, cabia
a mim protege-la, pelo
menos era assim que
funcionava a minha lógica
de garoto apaixonado.
No primeiro sinal que
paramos, eu saltei do
carro e fugi.
A casa de Caroline ficava em Chelsea,
outro bairro ricaço
de Gothan City. Eu estava
em Conventry, não
levaria mais de vinte
minutos para ir até
a casa dela. O problema
é que já
passava da meia noite,
e eu não achava
que era muito saudável
um menino da minha idade
andando pelas ruas àquelas
horas. Pelo menos no
Brooklin não
era. Cheguei a tempo
de ver Caroline saindo
com o Ford de seu pai.
Consegui alcançar
o carro e me esconder
atrás dele segurando
no estepe. estávamos
indo para Oeste. Passamos
por diversos bairros,
Bryanton uma área
muito pobre da cidade;
Uptown , onde o que
mais se via eram hotéis
de pequeno e médio
porte; Litle Stockon,
onde começava
a se desenvolver um
grande pátio
industrial. E finalmente
o nosso destino, Lyntown.
Lyntown era um lugar praticamente
esquecido dentro de
Gothan, com várias
fábricas e armazéns
abandonados. Aquela
área era usada
pelos bandidos para
operações
clandestinas do comércio
ilegal de bebidas. Eu
não conseguia
imaginar o que Caroline
estava fazendo em um
lugar como aquele.
Ela apagou os faróis do
carro e seguiu por uma
rua em direção
de um velho armazém.
Ela contornou o prédio
vagarosamente e estacionou
o carro perto da entrada
dos fundos.
Ela desceu do carro com uma lanterna
na mão. Estava
usando uma calça
de sarja caqui e uma
jaqueta de couro marrom
escuro. Os seus cabelos
estavam presos com uma
boina preta em sua cabeça,
e em vez de seus elegantes
sapatos de saltos altos,
usava um par de botas
pretas.
Eu me aproximei por trás
dela e toquei em seu
ombro. Ela levou um
susto tão grande
que deixou a lanterna
cair no chão.
“Bob, como foi
que você chegou
aqui?” ela se
abaixou e pegou a lanterna.
“Você devia
estar na Mansão
a esta hora e debaixo
das cobertas.”
Olhei para ela e disse: “Você
também!”
Caroline colocou as mãos
em meus ombros. “
Bob, eu sei o que estou
fazendo, agora escute
bem: Eu vou ter que
entrar ai dentro, enquanto
isso você vai
ficar quietinho ai dentro
do carro.”
Mas é claro que eu não
ia deixar as coisas
daquele jeito. “O
Sr. Waine sabe que você
está aqui?”
Pela primeira vez Caroline
olhou para mim como
se eu não fosse
apenas uma criança.
“Eu tentei, mas ele já
tinha saído da
Chefatura com o Comissário
Gordon.”
Segurei na manga da jaqueta dela
e disse: “E se
o homem de cara branca
estiver ai dentro, e
se ele pegar você?”
Caroline passou as mãos
em meus cabelos realmente
emocionada com a minha
preocupação.
Ela beijou o meu rosto
e me deu um abraço.
A esta altura eu já
estava nas estrelas
!
“Não se preocupe
querido, eu entro e
saio num instante.”
ela me deixou no carro
e entrou sorrateiramente
no armazém.
Mas eu tinha prometido para mim
mesmo que iria protege-la.
Deixei passar um minuto
e segui atrás
dela. O armazém
estava na maior escuridão,
não dava para
discernir as formas
direito, o meu único
ponto de referência
era o ponto luminoso
a minha frente que era
a lanterna de Caroline.
Ela subiu um lance de escadas
e desapareceu. Fui pelo
mesmo caminho, ali tinha
uma porta. Entrei num
comprido corredor, no
final havia uma luminosidade.
A medida que me aproximava
da luz ouvia o som de
vozes.
“ Roy meu querido, você
foi simplesmente o máximo.”
O Coringa segurou o
rosto de Roy Stevenson
e cuspiu em seu rosto.
“Eu abomino gente
como você, depois
que passar todas as
ações
suas e de seus associados
para mim, terei um enorme
prazer em matá-lo.”
O Coringa empurrou Stevenson,
que bateu com a cabeça
na parede. Stevenson
estava amarrado em uma
cadeira, a sua frente
estava uma escrivaninha
com alguns papéis
e uma caneta tinteiro
em cima.
O Coringa tinha tirado o fraque
e agora vestia um terno
de twidi verde, contrastando
com a horrível
maquiagem branca em
seu rosto.
Eu estava acima deles, escondido
atrás de um barril
perto da porta pela
qual tinha entrado,
mais a esquerda tinha
uma escada que descia
ao local onde eles se
encontravam. Comecei
a virar a cabeça
de um lado para o outro
a fim de ver onde Caroline
estava. Eu a avistei
do meu lado direito
atrás de uns
caixotes do outro lado
da porta. Ela fez sinal
dom o dedo para que
eu ficasse em silêncio.
“Vamos lá Roy, estávamos
indo tão bem,
porque você começou
a resistir as minhas
sugestões hipnóticas?”
O Coringa sentou-se
no canto da mesa de
frente para Stevenson
com o braços
cruzados.
“Não vou trair o
meu país, você
ouviu seu salafrário,
eu não vou trair
o meu país!”
Gritando isso, Roy conseguiu
se atirar com a cadeira
em cima do Coringa,
que facilmente conseguiu
se esquivar o desequilibrando
e jogando-o no chão.
“Patético Roy, patético.”
O Coringa foi andando
até um canto
da sala, que eu não
conseguia ver, devido
a posição
onde estava. “Sabe
Roy, a sua grande nação
logo não será
nada, assim como você
não é
agora.” Ele voltou
lentamente para onde
Stevenson estava, brincando
com um punhal nas mãos.
Caroline assustada colocou a mão
na boca para reprimir
um grito. Porém
esse movimento fez com
que seu cotovelo batesse
em uma caixa, o que
não passou despercebido
do Coringa.
“Roy, meu querido vamos
falar sério...”
De repente o Coringa
pulou em cima de Stevenson
e colocou o punhal em
sua garganta. “Muito
bem, seja lá
quem for, saia de onde
estiver ou eu rasgo
a garganta do velho.”
Caroline saiu de detrás
das caixas gritando:
“Por favor, não
machuque o meu pai.”
O Coringa começou a gargalhar.
“Parece Roy, que
temos algo para negociar
no final das contas,
desça aqui mocinha,
e sem gracinhas, porque
senão já
sabe.”
Eu estava apavorado, o que poderia
fazer. Caroline passou
por mim e bateu em meu
ombro de maneira que
o Coringa não
percebesse, dizendo
que era para eu ir embora.
Mas eu não poderia
sair dali deixando ela
e o pai naquela situação.
Percebi que a única
maneira de eles sobreviverem
era eu trazer ajuda.
Mas antes eu tinha de
descobrir mais sobre
os planos do Coringa.
O Coringa amarrou Caroline junto
ao seu pai. Nesse meio
tempo eu me escondi
em outro lugar onde
ele não pudesse
me encontrar.
O Coringa subiu as escadas e olhou
ao redor, em seguida
foi até uma enorme
janela no alto da escada,
ficando olhando por
um longo tempo.
Se dando por satisfeito, voltou
até os prisioneiros.
“Muito bem minha
querida, vá falando;
Como me encontrou, avisou
mais alguém que
estava vindo para cá,
como por exemplo o seu
namorado, Bruce Waine?”
Caroline virou o rosto
sem emitir nenhuma palavra.
O Coringa, então,
colocou novamente o
punhal na garganta de
Stevenson.
“Não, por favor,
não machuque
o meu pai, eu falo.”
Lágrimas saiam dos olhos
de Stevenson, ele não
conseguia mais falar.
“Eu procurei nos papéis
de papai algo de diferente,
que pudesse dar uma
pista de onde ele estava.
Quando encontrei os
contratos de compra
de várias propriedades,
me chamou a atenção
o fato dele ter adquirido
armazéns em Lyntown.
Ele sempre disse que
aqui seria o último
lugar em que empregaria
o seu dinheiro, o resto
você já
sabe.”
O Coringa começou a aplaudir.
“Excelente, vejo
que aprendeu alguma
coisa no final das contas,
com o seu namorado.”
Ele se aproximou de
Caroline e puxou sua
cabeça para trás,
derrubando a boina e
soltando os seus cabelos.
“
A propósito querida, ele
sabe que você
veio para cá
?”
Caroline disse que não,
mas o Coringa não
se deu por satisfeito.
O que aconteceu depois
me causa pesadelos até
hoje. O Coringa espancou
Caroline tentando extrair-lhe
uma resposta que o agradasse
até que ela perdesse
os sentidos. Roy Stevenson
vendo aquilo sem nada
poder fazer, entrou
em estado de choque.
Em seguida o Coringa os arrastou
para um caminhão
na entrada do armazém.
Dando uma olhada em
volta, entrou no caminhão
e deu a partida. Antes
de sair virou o rosto
e deu um último
olhar na direção
de onde eu estava escondido.
Por um instante pensei
que tinha sido descoberto,
seus olhos pareciam
duas adagas de gelo!
Mas, então ele
saiu sem mais olhar
para trás. Me
esgueirei para fora
do meu esconderijo em
baixo da escada, e cai
de joelhos no chão
chorando. O que mais
eu poderia fazer ? Então
me lembrei do lindo
rosto de Caroline e
do que aquele bruto
tinha feito.
O ódio subiu pelo meu corpo,
fui até a mesa
e comecei a procurar
qualquer coisa indicasse
para onde o maldito
os tinha levado. Foi
quando achei um pedaço
de papel com vários
números escritos
e um nome “Nuremberg”.
Podia não significar
nada, mas também
poderia ser a salvação
de Caroline e seu pai.
Sai correndo desesperado noite
a dentro, em busca do
único homem que
seria capaz de ajudar.
Foi naquele momento,
que pela primeira vez
imaginei como seria
útil ter o sinal
do morcego brilhando
no céu.
O VALETE
Gothan City não era muito
grande, mas para mim
que não a conhecia
era gigantesca e assustadora.
A cada rua que eu passava,
me sentia mais e mais
perdido. Tinha sido
abordado duas vezes
por mendigos e bêbados.
Época terrível
aquela a de 1930, parecia
que todo o mundo tinha
acabado na miséria.
De qualquer maneira
eu ainda tinha de encontrar
o “Batman”.
A questão era:
Eu conseguiria fazer
isso a tempo ?
Tentei achar um guarda, mas por
incrível que
pareça, aquele
velho ditado era verdadeiro;
“A gente nunca
encontra um policial
quando se precisa de
um.” Já
passava das duas horas
da madrugada, o comércio
estava todo fechado.
E como você bem
se lembra, com a “lei
seca” vigorando,
não existiam
bares noturnos, a não
ser os clandestinos,
é claro! Mas
mesmo que eu soubesse
onde um deles ficava,
não seria louco
de ir até lá,
a não ser que
estivesse a fim de cometer
suicídio.
Eu estava em Bryanttown, um bairro
decadente, onde os guetos
se expandiam a perder
de vista. De repente
senti que estava sendo
seguido, olhei para
trás mas não
vi nada. Continuei andando,
o nevoeiro da madrugada
agora tomava as ruas.
Súbito, senti uma vontade
enorme de estar em minha
casa junto de meus pais!
Ouvi o barulho de uma
lata rolando atrás
de mim. Não precisei
mais olhar para trás
para saber que estavam
me perseguindo. Corri
como se o próprio
capeta estivesse em
meu encalço!
Quando eu pensei que tinha escapado,
senti uma mão
forte puxar a gola do
meu paletó, me
atirando na sarjeta.
Levantei a cabeça,
meio tonto e vi um homenzarrão
com a cara toda encarapinhada
se debruçar sobre
mim.
“Olha só o ratinho
que eu peguei!”
Desesperado eu me debati
nos braços do
gigante, que agora me
suspendiam até
a altura de sua horrível
cara, sem conseguir
me libertar.
“Não se preocupe
ratinho, o Joshua aqui,
vai cuidar muito bem
de você.”
Dizendo isso, o monstro
alisou o meu rosto com
a sua enorme pata.
Deus, eu não queria acreditar
que aquilo estava acontecendo,
dei um grito tão
alto que a minha garganta
doeu. O monstro riu!
Então ele foi
atirado para frente,
me soltando e caindo
pesadamente no chão.
Ele se levantou falando
um monte de palavrões.
Diante dele, parada
como se nem tomasse
conhecimento do seu
tamanho estava uma bela
mulher de cabelos negros
caindo pelas costas,
olhos verdes faiscantes
e uma boca vermelha
e sensual. Ela trajava
uma jaqueta de couro
preta, com uma calça
justa, também
do mesmo material. Em
suas mãos enluvadas
ela segurava um longo
bastão de madeira,
e pendendo preso em
seu cinto na parte de
trás, um chicote
enrolado, parecendo
com uma cauda!
O gigante partiu para cima dela,
gritando:
“Vou te matar vagabunda!”
Com uma destreza que eu jamais
tinha visto, a mulher
se esquivou e trançou
o bastão entre
as pernas do monstro,
fazendo-o estatelar
no chão. Ela
parecia um gato se movimentando,
uma verdadeira “mulher-gato”.
Tomando nova posição
ela aguardou o homem
se levantar. Antes que
ele conseguisse ela
o atingiu no queixo
com outro golpe do bastão.
Dessa vez o monstro
não se levantou
mais! Ela se virou sem
dar mais importância
para ele, me ajudando
a levantar.
“O que um garotinho como
você está
fazendo andando por
aí, sozinho de
madrugada?”
Eu estava apavorado e não
conseguia conter minhas
lágrimas. Só
consegui balbuciar uma
coisa:
“Bat... Batman...”
A “Mulher-Gato”
ficou olhando para mim
durante algum tempo
com os seus penetrantes
olhos verdes. Depois
me abraçou e
sumimos no nevoeiro.
O
ÁS
DE ESPADAS
Quando chegamos na Mansão
Waine, já passava
das três horas
da manhã. A mulher
me escoltou até
a porta.
“É só até
aqui que eu vou pequenino.”
Ela se debruçou
e beijou a minha testa.
"Por que você não
entra, perguntei, fica
mais um pouco!”
Ela deu um sorriso triste para
mim e olhou para a mansão.
“Ele não ia gostar.”
Ela se virou para ir embora quando
eu gritei:
“Ei, espera, qual é
o seu nome?”
“Selina.”
Dizendo isso a “Mulher-Gato”
sumiu, como se nunca
tivesse existido! Sem
olhar para trás
uma segunda vez corri
até as enormes
portas da mansão
e comecei a bater freneticamente,
esquecendo que existia
uma campainha. Ema abriu
a porta e deu um grito,
misto de espanto e alegria.
“Senhor Waine,
Senhor Waine, o menino
está aqui!”
Bruce Waine escancarou a porta
e me puxou para dentro,
em seguida ele me carregou
para dentro. “
Garoto, você está
bem, graças a
Deus .”
Não me lembro em toda a
minha vida de ter sido
tão abraçado,
afagado e beijado em
um só dia, nem
pelos meus pais. Eu
gostava disso ! Bruce
e eu fomos para o salão
principal, lá
estavam Alfred e um
outro homem, alto, forte
de cabelos e bigodes
vermelhos, já
apresentando alguns
fios brancos, aquele
era o Comissário
Gordon.
Bruce me colocou sentado no sofá
e perguntou. “O
que aconteceu Bob, e
onde está Caroline?
“. Eu entreguei
o papel que encontrei
no esconderijo do Coringa
para Bruce. “O
homem de cara branca
pegou ela Sr. Bruce.”
Waine se levantou lentamente,
com o olhar perdido
andou até a janela
e ficou olhando para
fora, se virou e disse.
“Era o que você
queria Gordon, ai está
o seu caso de seqüestro,
apontou para mim, o
garoto é testemunha.”
Gordon pegou o casaco e o chapéu.
“Vou expedir um
mandato agora mesmo.
Se aproximou de Waine
e segurou em seu braço.
“Não se
preocupe, nós
vamos encontra-los.”
Dizendo isso ele saiu.
Waine abriu a mão e ficou
olhando o papel amassado,
em seguida foi até
onde eu estava.
“Bob, me conte tudo o que
aconteceu, procure não
esquecer nenhum detalhe.”
Foi exatamente o que
eu fiz, não esqueci
nenhum detalhe, nem
de Selina. Quando mencionei
esse nome Waine ficou
mais alterado do que
estava.
Em seguida foi até
a porta e chamou a governanta.
“Ema providencie
para que o garoto coma
alguma coisa e durma
um pouco.” Ema
já estava me
conduzindo para fora
da sala quando eu me
virei para Bruce Waine
e disse: “Sr.
Waine, se o senhor for
atrás do homem
de cara branca, eu também
quero ir, eu gosto muito
da Srta. Caroline.”
Waine ficou olhando para mim,
por um instante pensei
que ele iria chorar,
mas não, afinal
de contas ele era o
Batman. “Nós
todos gostamos Bob.”
Disse ele com um sorriso
no rosto. Naquele restinho
de noite, foi quando
comecei a delinear os
contornos dos personagens
que você conhece
hoje. Tive sonhos estranhos
com homens morcego lutando
com palhaços
de cabelos verdes e
cara branca, onde mulheres
gato assistiam a tudo
com chicotes enrolados
no corpo. Quando acordei
já era de manhã,
estava deitado em uma
imensa cama, em um enorme
quarto com gigantescas
janelas a minha frente.
De certa maneira eu
continuava sonhando
!
Ema entrou no quarto trazendo
uma bandeja. “Bom
dia meu querido, vejo
que você já
acordou, eu trouxe o
café da manhã.”
Ela colocou a bandeja
na cama. Eu nunca tinha
visto um café
da manhã daquele
jeito; leite, laranjada,
frutas, geleia, torradas
e queijo. Quando terminei
o café tomei
um banho e vesti as
minhas roupas. Não
as que Waine tinha me
dado, mas as minhas
mesmo.
Quando entrei na sala,
só Alfred estava
lá.
“ Onde está o Sr.
Waine, perguntei. “Ele
teve que sair, repondeu.
Alfred se levantando da poltrona,
colocando o jornal que
estava lendo na mesinha
ao lado. “O Sr.
Waine pediu que lhe
acompanhasse até
a estação
de trem, o Sr. Harding
vai estar aguardando-o
em Nova York.”
Eu corri até Alfred. “Mas
eu tenho que ajudar
o Batman a achar Caroline!”
Alfred colocou as mãos
em meus ombros paternalmente.
“Jovem, o Sr.
Waine só poderás
achar a noiva e o pai
se não tiver
que se preocupar com
você. A sua segurança
é muito importante
para ele.”
Até uma criança
como eu era capaz de
entender. Por isso deixei
que Alfred me levasse
até a estação
de trem. O que não
quer dizer que eu fosse
embarcar, o que realmente
eu não fiz!
Alfred queria ter certeza que
eu iria ficar bem acomodado,
por isso me acompanhou
até dentro do
vagão. “Meu
jovem, não se
preocupe, assim que
tudo estiver resolvido
nós mandamos
lhe avisar.” Apertei
a mão de Alfred
e agradei. Assim que
ele virou as costas
eu desci do trem!
É incrível como
funciona a nossa mente
quando somos crianças.
A primeira coisa que
eu fiz foi arranjar
uma forquilha de madeira
para fazer uma atiradeira.
Esse brinquedo era muito
popular na minha época,
bem mais do que hoje.
Depois fiquei de vigília
em cima de uma árvore
perto da mansão
Waine esperando que
o Batman aparecesse.
Já era noite
e nada dele. De repente
um sanduíche
caiu no meu colo. Meu
susto foi tamanho que
eu quase cai da árvore,
quando um braço
poderoso me segurou.
Bruce, Batman desceu até
o galho onde eu estava.
Ele estava trajando
jaqueta, calças,
luvas e botas pretas.
“Sr. Waine, eu..”
Não consegui
terminar a frase. Ele
tirou o meu boné
e desarrumou o meu cabelo
dando risada. Quando
olhei de novo ele já
estava no chão
fazendo sinal com a
mão para que
eu o acompanhasse. Nunca
tinha visto ninguém
tão ágil
quanto ele, a não
ser Selina!
Eu me aproximei de Waine comendo
o sanduíche.
“O Sr. sabia que
eu estava lá
o tempo todo?”
Ele colocou o braço
em volta de meus ombros.
“Quando Harding
me ligou dizendo que
você não
tinha chegado em Nova
York não foi
difícil deduzir
onde você estaria.
Deixei você ali
como castigo por ter
me desobedecido.”
Ele parou e ficou na minha frente.
“Eu não
posso ficar me preocupando
com você. Por
isso a melhor maneira
de garantir que você
não vai se meter
em encrenca é
coloca-lo embaixo de
minha vista. Mas você
vai ter que fazer tudo
o que eu mandar está
claro ?
Acenei a cabeça afirmativamente
com um sorriso ma boca
cheia de comida.
“Ótimo, então
vamos pequeno pássaro,
vamos meu pequeno Robin!
Sim, Batman e Robin
na sua maior aventura!
Eu fui o companheiro
do Batman! Não
vestíamos fantasias
bizarras, nem tínhamos
bugigangas malucas,
mas nossa causa era
justa. E para você
pode até parecer
fanfarronice. Mas estávamos
dispostos a morrer por
ela !
CONTINUA...